A IMPORTÂNCIA DO FARMACÊUTICO NO CUIDADO DA SUA SAÚDE! Antimicrobianos: Histórico e resistência
Acervo Pessoal

Desde os tempos remotos sabe-se que o homem e os micróbios partilham uma vida em comum que se perde na sombra do tempo; e, certamente, desde a pré-história eles vêm provocando doenças no homem.

Entretanto, as causas destas doenças só começaram a ser descobertas a partir de 1878, graças, sobretudo aos trabalhos de Pasteur e Koch e seus contemporâneos, que demonstraram a origem infecciosa de várias enfermidades do homem e de outros animais.

A descoberta da penicilina, o primeiro antibiótico de atividade clínica, ocorreu quando Alexander Fleming estudava culturas de Staphylococcus aureus no St. Mary’s Hospital de Londres, após observar que culturas desta bactéria deixadas sobre uma bancada haviam sido contaminadas por um fungo do ar e que ao redor do fungo contaminante não existia crescimento do estafilococo. Intrigado, Fleming resolveu estudar o fenômeno observado, verificando que o fungo pertencia ao gênero Penicilium (mais tarde identificado como P. notatum), o qual elaborava uma substância que, difundindo-se no meio de cultura, exercia efeito antimicrobiano sobre a bactéria ali presente. Esta substância Fleming denominou penicilina e anteviu que seu emprego seria de utilidade no tratamento das infecções por exercer efeitos não só contra os estafilococos, mas também contra os estreptococos, bacilo diftérico, gonococo e meningococo.

Na cronologia dos processos infecciosos, em 1950, oito anos após a introdução da penicilina, 68% dos Staphylococcus aureus já apresentavam resistência a esse antibiótico, não se sabia que aí se iniciava um dos maiores problemas no tratamento das infecções: a resistência microbiana. Após amplos estudos, descobrimento de novos medicamentos e o aparecimento de microorganismos que já não mais respondiam de forma satisfatória, a era da antibioticoterapia estava iniciada, envolvendo novos técnicos e cientistas, com métodos, equipamentos e materiais relacionados à química, biologia, farmacologia, exigindo a comercialização e o surgimento de novas drogas com espectros cada vez mais ampliados que fossem sensíveis aos mecanismos de resistência desses microorganismos.

O desenvolvimento dessas novas drogas provocou uma decisiva queda nas taxas de morbidade e mortalidade de inúmeras doenças infecciosas. No entanto, observou-se também que o mau uso dos antibióticos para tratamento e profilaxia das infecções, resultava na redução da sua eficácia e que a sensibilidade dos germes às drogas podia sofrer variações, encontrando-se microorganismos pertencentes a uma mesma espécie nos quais algumas estirpes ou raças eram sensíveis, enquanto que outras eram resistentes à ação de um mesmo antibiótico, com isso verifica-se que o fenômeno da resistência bacteriana aos antimicrobianos, tão seriamente estudados nos dias atuais, já era manifestação observada desde o início da antibioticoterapia.

Os antimicrobianos são substâncias naturais (antibióticos) ou sintéticas (quimioterápicos) que agem sobre microorganismos inibindo o seu crescimento ou causando a sua destruição. É a segunda classe de droga mais utilizada sendo responsável por 20 a 50% das despesas hospitalares. Esta ampla utilização de antimicrobianos pode afetar de forma significativa não somente a microbiota do paciente que o utiliza, mas também a ecologia microbiana dos outros pacientes. O organismo humano é colonizado por uma microbiota diversificada em locais como trato gastrointestinal, pele e genitália. Esses sítios colonizados sofrem pressão seletiva gerada pelo uso dos antimicrobianos que acabam por eliminar parte das bactérias existentes e permitir que as demais sobrevivam e promovam um desequilíbrio. Outro risco enfrentado pelo uso abusivo de antimicrobianos é o surgimento de surtos intra-hospitalares envolvendo bactérias multirresistentes. Esses eventos de desequilíbrio da microbiota humana e surgimento de bactérias resistentes aumentam a morbidade dos pacientes, prolongam o tempo de internação e promovem custos adicionais aos serviços de saúde, que podem ser evitados com o uso racional dos antimicrobianos.

Todos esses fatos que datam desde o início da era dos antibióticos demonstram o porque do controle rigoroso da prescrição e principalmente da dispensação dessa classe medicamentosa. Devido aos custos elevados ainda não são todos os profissionais que solicitam exames laboratoriais que apontem qual é o microorganismo causador da patologia e também qual o medicamento mais apropriado ao seu combate. Somente através desses cuidados que partem do prescritor e posteriormente com uma dispensação adequada e orientada e de uma conduta responsável do paciente durante o tratamento é que se pode amenizar e quem sabe resolver este problema que preocupa tanto os cientistas e é um fator de risco muito grande a toda a população. Por isso sempre reforça-se a importância do profissional de saúde em qualquer conduta terapêutica e também a consciência do paciente quanto à responsabilidade de seguir as orientações corretas, a fim de que sua saúde seja reestabelecida o mais breve e eficientemente possível, preservando assim sua qualidade de vida e no caso dos antimicrobianos também o bem estar dos demais.

Mariana KistPompermaier (Farmacêutica – CRF-PR: 24332)

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