O Papel do farmacêutico no cuidado da sua saúde!  Vertigem!
Acervo Pessoal

A vertigem é um sintoma descrito desde a época de Hipócrates, porém encontram-se poucos relatos referentes à sua evolução histórica.

Em 1861, Ménière descreveu a doença à qual Charcot, em 1874, deu o nome de Doença de Ménière. Na época, Ménière baseou-se nos estudos que Flourens realizou em 1823, nos quais a destruição de um ou mais canais semicirculares de um dos aparelhos vestibulares de pombos levava ao aparecimento de desequilíbrio e rotação cefálica no animal, demonstrando que as vertigens eram originadas do acometimento do labirinto.

A vertigem é a sensação que o paciente tem de estar girando em torno do ambiente ou vice-versa. Mais raramente, há a sensação de movimento em báscula no plano horizontal, de movimento ascendente e descendente ou ilusão de rotação horária ou anti-horária no plano frontal. Na maioria das vezes, decorre de lesão ou disfunção unilateral do aparelho vestibular ou da porção vestibular do VIII nervo craniano. A vertigem é um sintoma comum em pacientes de todas as idades. Esta queixa tão freqüente, cujas possíveis causas vão desde uma vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) que, como seu nome indica, é benigna, até um tumor de ângulo ponto-cerebelar potencialmente fatal quando não diagnosticado oportunamente; seu manejo é feito de maneira inadequada, considerando-se, na maioria das vezes, a queixa de tontura como sinônimo de vertigem, diagnosticada como “labirintite” e tratada com medicamentos que amenizem os sintomas.

Vale esclarecer que o termo “labirintite”, tão utilizado ao referir-se como a principal causa de tontura ou vertigem, pressupõe um componente inflamatório no aparelho vestibular e compreende: labirintite bacteriana, expressada por sinais flogísticos na orelha média, sinais toxêmicos e comprometimento do estado geral; e labirintite viral (falência vestibular súbita ou neuronite vestibular) em que prevalece uma infecção viral do nervo vestibular levando a um quadro vertiginoso auto-limitado, sendo que, nem uma nem outra costumam ser a causa mais freqüente de vertigem.

O equilíbrio é dado por três sistemas: vestibular, visual e proprioceptivo. Com base nisto, a maioria dos autores reconhecem quatro tipos de tontura: síncope, desequilíbrio, sensações cefálicas variadas e vertigem. Ao se tentar classificar a tontura do paciente, é importante indagar sobre o tempo e o padrão de evolução do sintoma, horários mais freqüentes em que o sintoma aparece, fatores de melhora ou piora, duração das crises, sintomas associados, uso de medicações, quadros que antecederam os episódios de tontura e tratamentos anteriores.

È importante ao sentir qualquer sintoma procurar orientação de um profissional de saúde, e não banalizar nenhum sintoma, nem auto medicar-se. Como visto, uma simples tontura, pode tanto ser algo benigno quanto de caráter mais sério, e somente o médico poderá realizar o diagnóstico e orientar quanto as melhores condutas a serem adotadas. A saúde é nosso bem mais precioso, por isso não vale a pena negligenciar ao sentir que algo não vai bem.

Mariana Kist Pompermaier (Farmacêutica – CRF/PR: 24332)

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