Pesquisas apontam que a alimentação dos brasileiros mudou para pior
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Duas recentes pesquisas divulgadas entre os meses de março e abril deste ano apontam o crescimento do número de diabéticos no Brasil, que passou a atingir 7,4% da população - dado superior aos 5,5% registrados em 2006 - e o aumento em 6,25% no número de cirurgias bariátricas no país.

 

Dados do Ministério da Saúde informam que o número de diabéticos no mundo, passou de 4,7% para 8,5%, tornando-se um grave problema de saúde pública internacional. Entre os principais fatores de risco associados ao diabetes estão o sobrepeso, a obesidade e a hipertensão arterial - Doenças Crônicas Não Transmissíveis, muitas vezes associadas à obesidade - e que respondem por 72% das mortes no Brasil.

Em contrapartida, apenas no ano de 2015 cerca de 93,5 mil pessoas fizeram a cirurgia para redução de estômago no Brasil, um aumento de 6,25% se comparados ao mesmo período de 2014, quando 88 mil pessoas haviam passado pelo procedimento.

DOCES EM EXCESSO

Outro fator preocupante apontado pela pesquisa do Ministério da Saúde é que um em cada cinco brasileiros consome doces em excesso, cinco vezes ou mais na semana. O índice é ainda maior entre os jovens: 28,5% da população de 18 a 24 anos possui alimentação com excesso de açúcar. Nessa faixa etária, 30% também costuma beber refrigerantes diariamente. Esses hábitos preocupam diante do avanço de doenças crônicas no país, em especial o diabetes.

Os dados são da pesquisa Vigitel 2015 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), lançado pelo Ministério da Saúde no Dia Mundial da Saúde (7 de abril).

O cirurgião e especialista em obesidade, Caetano Marchesini, acredita que os resultados refletem diretamente as mudanças dos hábitos alimentares da população e à prática de atividade física. Ele está em Cartagena, na Colômbia, aonde participa do Congresso Iberoamericano de Obesidade, Cirurgia Bariátrica e Metabólica.

“A alimentação dos brasileiros está mudando para pior. Vemos um aumento no consumo de produtos altamente calóricos e ricos em gordura, sal e açúcar e, ao mesmo tempo, ocorre a queda na prática de atividade física devido escolha cada vez maior por atividades sedentárias” afirma o cirurgião bariátrico e especialista em obesidade, Caetano Marchesini.

Segundo ele, a obesidade está diretamente relacionada ao surgimento do Diabetes tipo 2, tendo em vista as características da doença que inclui níveis de açúcar elevados no sangue de forma crônica, frequentemente acompanhada do aumento da gordura no sangue – triglicerídeos e colesterol, pressão alta e problemas vasculares.

No entanto, ele explica que a cirurgia bariátrica apresenta índices superiores a 70% de melhora em quadros de diabetes, asma e incontinência urinária, hipertensão, doenças do refluxo gástrico e a apneia do sono. “Isso faz com que a busca por este tratamento aumente cada vez mais”, relata o cirurgião.

Marchesini conta que, atualmente, os resultados a curto e longo prazo da melhora da Diabetes com a cirurgia são superiores aos resultados do tratamento com qualquer tipo de medicamento. “A cirurgia consegue interromper a evolução das complicações da doença”, completa o especialista.

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