Universidades estaduais podem paralisar atividades, alerta deputado Luersen
Assessoria

O líder do PDT na Assembleia Legislativa, deputado Nelson Luersen, recebeu um abaixo-assinado de professores e alunos da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), alertando para o risco de paralisação das atividades das instituições de ensino superior do Estado.

Em assembleia recente, os professores da Unioeste aprovaram indicativo de paralisação para o próximo dia 20, em protesto contra a falta de recursos motivada pelo corte de repasses do governo do Estado para despesas de custeio, que segundo Luersen, em alguns casos chega a 50%. Em ofício, Luersen repassou o abaixo-assinado ao secretário de Ciência e Tecnologia, João Carlos Gomes e ao governador Beto Richa, pedindo que eles tomem as providências cabíveis para atender as reivindicações das universidades.

Com o corte de verbas, as sete universidades paranaenses, que já sofriam com a escassez de verbas para custear suas atividades de ensino, pesquisa e extensão, não têm condições de funcionamento, alerta o parlamentar. O Hospital Universitário de Londrina, vinculado à Universidade Estadual de Londrina (UEL), por exemplo, está em crise. Em 31 de janeiro, o HU tinha 338 vagas desocupadas, o que representa 15% do quadro funcional. Os maiores déficits são de auxiliares e técnicos de enfermagem, nutricionistas, enfermeiros, médicos, assistentes sociais e agentes operacionais.

“A ala de atendimento a queimados do Hospital da UEL, por exemplo, corre o risco de fechar por falta de funcionários e pelo déficit no repasse de verbas de custeio. Trata-se da única instituição a oferecer esse tipo de atendimento no interior do Estado”, diz o parlamentar, lembrando que além do Hospital da UEL, somente o Hospital Evangélico, em Curitiba, oferece atendimento a esses pacientes em todo o Paraná. “O governo precisa rever o corte e o parcelamento dos repasses de verbas de custeio, sob pena de que as universidades tenham que parar, em prejuízo não só para a comunidade universitária, mas para toda a população, que necessita do atendimento dos hospitais universitários e demais serviços oferecidos por essas instituições”, cobra o deputado Luersen.

Os professores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) continuam em estado de greve desde o ano passado porque suas pautas não foram atendidas. Segundo o Sindicato dos Docentes da UEPG (Sinduepg), dos R$ 12 milhões solicitados pela instituição para custeio em 2016, a UEPG deve receber somente R$ 6 milhões, somados a R$ 2 milhões destinados ao pagamento do PIS/PASEP.

“Não dá para admitir que o governo do Estado, depois de todo o ‘choque fiscal’ promovido no ano passado, com aumento brutal de impostos, adiamento do pagamento do reajuste salarial da data-base dos servidores públicos e confisco do Paraná Previdência, aplique em 2016 menos recursos em ciência e tecnologia do que aplicava em 2014, há dois anos. Não dá para imaginar o Paraná sem suas universidades, sem a UEL, a Unioeste, a UEM (Universidade Estadual de Maringá), pois elas, além de fomentar o conhecimento e a pesquisa, ajudam no crescimento do Estado”, afirma Luersen.

O deputado lembra ainda que, segundo dados oficiais do Tribunal de Contas do Estado, o governo do Paraná não cumpriu o percentual mínimo de investimento de 2% da receita tributária em ciência e tecnologia, como previsto em lei, em 2014. Naquele ano, o investimento ficou em apenas 1,38% da receita. E de acordo com o TCE, o não cumprimento desses percentuais é uma irregularidade que tem se repetido nos últimos anos.

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