Não são só elas: 25% dos homens brasileiros já deixaram de economizar para comprar tratamentos de beleza
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61,9% acreditam que cuidar da beleza é uma necessidade e não um luxo. 7% declararam estar com o nome sujo por causa dessas compras


Uma pesquisa nacional feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) comprova que o homem também deixa de economizar e até mesmo se descontrola na hora das compras de produtos ou serviços relacionados a beleza e estética. Cerca de um quarto (25,4%) dos brasileiros entrevistados afirmam já ter deixado de guardar dinheiro para esse tipo de consumo e outros 6,5% já deixaram até mesmo de cumprir compromissos financeiros para priorizar estas compras.

Afirmando que se esforçam para estar sempre bem vestidos (74,9%) e que acreditam que cuidar da beleza é uma necessidade e não um luxo (61,9%), os homens podem acabar sentindo o impacto do consumo desenfreado de produtos de beleza no bolso: 6,8% dos homens declararam que estão com o nome registrado em serviços de proteção ao crédito por atrasos no pagamento de produtos relacionados à beleza, como roupas, calçados e acessórios, cosméticos, maquiagens, tratamentos estéticos e odontológicos. De acordo com a pesquisa, 31,5% afirmam que costumam comprar itens desse segmento quando não estão muito felizes para se sentirem melhor. Para especialistas, é aí que está o perigo.

“A vaidade e preocupação com a aparência física, se não bem administradas, podem prejudicar a saúde financeira dos consumidores”, afirma o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli. “De uma forma geral, a pesquisa constata o que muitos pensavam acontecer apenas com as mulheres: o orçamento dos homens também sofre forte impacto em função dos gastos provenientes com os cuidados pessoais e de beleza”, explica.

Para Vignoli, cuidar da aparência é fundamental para manter a autoestima e importante até mesmo para o mercado de trabalho, mas o especialista tem ressalvas: “Isso pode e deve ser feito sem prejudicar o orçamento doméstico. O consumidor pode fazer uma lista de prioridades e ajustar seus hábitos de consumo ao tamanho do bolso”.


Valor médio gasto mensalmente com produtos de beleza é de R$ 95

A pesquisa mostra que os cosméticos mais utilizados no dia a dia pelos homens são principalmente de uso básico, como shampoo (73,1%), perfumes (60,1%) e produtos pré e pós-barba (41,2%). Os principais diferenciais na escolha dos produtos e serviços de beleza são a qualidade (76,3%), o cheiro (68,2%) e o preço (65,5%). O gasto médio com este segmento é de aproximadamente R$ 95 por mês e as compras são feitas principalmente em supermercados ou hipermercados (59,8%), farmácias (41,1%) e com revendedoras de cosméticos (34,5%). A escolha da marca dos produtos leva em consideração marcas conhecidas e associadas a um bom preço (60,2%) e, para a escolha do local de compra, o preço (57,1%), a qualidade (46,5%) e o atendimento (34,0%) são os principais fatores de decisão.

Já os principais locais onde os serviços de cuidados com beleza são realizados são os salões de beleza (45,5%), academia (44,2%) e clínica dermatológica (12,6%), e o tempo passado nestes espaços representam para os homens uma necessidade (39,1%), seguido por satisfação (23,3%).

Considerando a demanda de produtos desse segmento para os próximos três meses, os mais significativos são roupas, calçados e acessórios (47,2%), produtos relacionados aos cuidados com os cabelos, unha e barba (36,2%) e cosméticos em geral para pele, corpo e cabelos (32,7%). Já em relação aos tratamentos de maior valor financeiro que os entrevistados desejam realizar pelos próximos 12 meses, os mais mencionados são clareamento dentário (23,1%), aparelho ortodôntico (20,7%) e porcelana nos dentes (12,6%).

Na categoria de procedimentos mais invasivos, a maioria (57,4%) dos homens nunca realizou algum procedimento. Entre os que já fizeram (42,6%), 86,8% comentaram com conhecidos e não veem problemas nisso, e o tratamento mais usual é o clareamento dentário (30,3%) seguido por porcelana nos dentes (13,5%) e pelo uso de remédios para emagrecer (11,4%). Apesar de terem vontade, mais de seis em cada dez homens (63,5%) nunca realizaram algum procedimento invasivo por falta de dinheiro.

Aproximadamente 73,4% dos entrevistados buscam informações antes de adquirir produtos e serviços relacionados à beleza e estética. As principais fontes para a pesquisa são amigos e familiares (44,6%), seguido por sites especializados (38,8%) e redes sociais (17,6%).

Mercado de beleza para homens é promissor

Entre os principais cuidados que os homens têm para se sentirem mais bonitos e confiantes estão alimentação saudável (43,0%), atividades físicas (41,3%) e cuidados com os dentes (37,5%). Perguntados sobre como se vêem em relação a sua aparência física, 64,9% se consideram normais e apenas 22,0% se enxergam como bonitos. Ainda assim, 47,6% acreditam que o uso de produtos e serviços de beleza podem modificar a própria aparência, evidenciando que uma parcela significativa dos homens percebe o potencial destes artifícios. Para eles, os principais motivos para os cuidados com a beleza são a melhora da autoestima (72,5%) e a percepção de que as outras pessoas respeitam mais quem tem uma boa aparência (25%) – além disso, a maioria dos homens concordam que pessoas parecem profissionais melhores quando estão arrumadas (74,7%).

Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, ainda há um mercado enorme a ser conquistado com foco no segmento masculino. “A pesquisa é um indicativo de que empresários do ramo de beleza precisam investir em itens capazes de corresponder às expectativas de qualidade do público masculino, pois eles estão consumindo cada vez mais produtos e serviços de beleza, sejam invasivos ou não. Além dos produtos de consumo básico, há espaço para empresas que sejam inovadoras e tenham plataformas de vendas modernas, seja por e-commerce ou aplicativos”, analisa Kawauti.

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    Da assessoria

    Todas as rodovias estaduais da região Sudoeste estão incluídas em um pacote de obras para conservação da malha viária anunciado pelo governo do Estado em abril. As licitações devem ser realizadas nas próximas semanas e os contratos passam a valer a partir do segundo semestre. São mais de 1.200 km contemplados somente na região e dois tipos de serviços: o Cremep, que consiste na retirada da camada danificada de asfalto e colocação de uma nova, e o Cop, que é um serviço mais básico.

    O pacote prevê investimentos de até R$ 314 milhões em três anos, mas segundo o presidente da Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná (Amsop), Frank Schiavini, a medida somente ameniza as condições de tráfego e não amplia as melhorias nas rodovias. “Nós entendemos que esse valor que o Estado pretende investir é expressivo, mas pelas condições atuais das rodovias deveria ser maior; o Sudoeste precisaria de mais atenção neste ponto, tanto do Estado quanto da União, porque somos uma região que produz muito em termos de agropecuária e todo escoamento da produção e desenvolvimento da região depende de boas estradas”, afirma Schiavini.

    Em todo o Paraná, o programa de conservação de rodovias pretende investir cerca de R$ 3 bilhões. O dinheiro é utilizado somente na manutenção de estradas, como quando a via é danificada por chuvas ou excesso de tráfego, e não contempla ampliações, como a construção de trincheiras, trevos e terceiras faixas.

    Corredor Sudoeste

    A Amsop também acompanha o processo de concessão do chamado Corredor Sudoeste, trecho que liga Realeza (BR-163) a Palmas (BR-153). A preocupação da entidade é em buscar um modelo viável de concessão, que modernize a rodovia e mantenha tarifas de pedágio baixas. “A realidade é que esse trecho é muito violento, só em 2015 mais de 50 pessoas morreram nele, e isso precisa ser mudado. Se a privatização é o único caminho para tornar a rodovia mais segura e moderniza-la, que seja feito de forma responsável e acima de tudo sem tarifas que penalizem os usuários e motoristas do Sudoeste”, diz Frank.

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