Sudoeste pede maior controle sobre importações de leite, novo preço mínimo e renegociação de empréstimos
O presidente da Amsop, Maocir Fiamoncini, abriu o encontro e destacou que a região perde mais de meio bilhão por ano com a queda no preço do leite Assessoria

Seminário promovido pela Amsop e entidades parceiras evidenciou o impacto da crise do leite na região; preço pago aos produtores está abaixo de um real, mas custo de produção é de R$ 1,12

Da assessoria

O principal pedido do seminário que debateu a chamada crise do leite foi por mais atenção do governo federal à produção tanto na região Sudoeste como em todo o país. Representantes de entidades ligadas a pecuária leiteira, da Abraleite e do Ministério da Agricultura participaram do evento, promovido pela Amsop e instituições regionais na sexta-feira (16) em Francisco Beltrão.

A crise é desencadeada pelas seguidas quedas no preço do leite pago aos produtores. O litro do produto, que em setembro de 2016 era negociado a R$ 1,52 no Paraná, chegou a R$ 0,96 no mês passado. “Isso tem um impacto muito grande na economia dos municípios; só pra termos uma ideia o Sudoeste, que produz cerca de 1,2 bilhão de litros, está perdendo mais de R$ 500 milhões somente com esta queda no preço”, afirma o presidente da Amsop (Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná), Moacir Fiamoncini.

Além da Amsop, promoveram também o seminário a Seab, Emater, Unicafes, Iapar, Grupo Gestor do Território, Rural Leite, Assema, Acamsop, Assessoar, Fetaep, Ocepar, Sindicato Rural, Capa e Fetraf. A ideia era reunir lideranças da atividade leiteira para pressionar o governo com regulamentações para o setor e mais apoio para os produtores. “São necessárias políticas públicas que garantam a pecuária leiteira num momento extremamente delicado como este”, defende o presidente da Abraleite, Geraldo Borges.

Dificuldades no setor

As principais pautas debatidas no encontro foram a revisão do preço mínimo do leite – que hoje é de R$ 0,85 e, segundo produtores, está muito abaixo dos custos – o endurecimento de regras para importação do produto e a garantia de renegociação de empréstimos feitos pelos agricultores junto a bancos e cooperativas para financiar equipamentos.

O produtor Rudimar da Silva, de Planalto, está tendo que vender seus 22 mil litros de leite produzidos por mês pela metade do preço que negociava há uma ano e meio e já acumula dívidas de financiamento. “Quando o preço estava bom todo mundo aproveitou para modernizar as propriedades, investir em equipamento, mas hoje, além do preço ter baixado, os custos subiram e isso está nos obrigando a trabalhar no vermelho”, relata.

Revisão do preço

O coordenador de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, João Salomão, foi um dos palestrantes do seminário e explicou a atuação do governo federal para amenizar a crise. “Já tomamos medidas para limitar importações no ano passado e agora pretendemos rever o preço mínimo no novo plano agropecuário”, disse Salomão.

No Sudoeste, a estimativa é que o custo de produção de leite seja de R$ 1,12. A ideia do governo agora é rever o preço considerando as variações regionais de custos e adquirindo a produção quando o preço estiver abaixo do mínimo.

Presenças

Lideranças do setor leiteiro, secretários e técnicos da área agrícola, além dos deputados estaduais Wilmar Reichembach – que preside a Frente Parlamentar do Leite – e Nelson Luersen e o federal Assis do Couto, também estiveram presentes no seminário.

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