O ex-governador Beto Richa, a mulher, Fernanda, e o irmão Pepe, são presos
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O ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB) e a mulher Fernanda Richa foram presos na manhã de terça-feira,11, no apartamento onde residem no bairro Ecoville, em Curitiba. Deonlison Roldo, que é ex-chefe de gabinete do ex-governador, também foi preso, no bairro Tingui, onde mora.

As três prisões são temporárias, com validade de cinco dias. Beto Richa é candidato ao Senado e, na última pesquisa, aparecia em segundo lugar na corrida eleitoral com 28% das intenções de voto. Ao todo, são 15 mandados de prisão. Até o momento, oito pessoas foram presas. O coordenador do Gaeco ressaltou que as prisões têm fundamento legal.

Os mandados de prisão contra os três foram cumpridos pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e são oriundos de um investigação sobre o programa Patrulha Rural, batizada de Operação Rádio Patrulha. Após os presos passarem por exame de corpo delito, na sede do Gaeco, eles devem ser transferidos para o Complexo Médico Penal de Pinhais, na região Metropolitana de Curitiba.

O empresário Joel Malucelli, dono da J. Malucelli, é outro alvo de prisão do Gaeco. Ele também é dono da Band, da BandNews, da CBN e do Metro Jornal, em Curitiba. Em nota a assessoria do empresário esclarece que as acusações são injustas e nega qualquer irregularidade. Ressalta ainda que sempre esteve à disposição das autoridades para esclarecimentos. A assessoria informou ainda que o empresário desde 2012 se desligou das atividades e rotinas da empresa fundada por ele e se encontra na presente data em férias, fora do país, aguardando orientação de seus advogados, que ainda não foram notificados oficialmente sobre a operação.

As empresas Cotrans, Ouro Verde e J. Malucelli são investigadas por fraude no programa Patrulha do Campo.

Lista dos mandados de prisão da operação do Gaeco:

Fernanda Richa (presa)– esposa de Beto Richa e ex-secretária da Família e Desenvolvimento Social

Deonilson Roldo (preso) – ex-chefe de gabinete do ex-governador

Pepe Richa (preso) – irmão de Beto Richa e ex-secretário de Infraestrutura

Ezequias Moreira (preso)– ex-secretário de cerimonial de Beto Richa

Luiz AbibAntoun (preso) – parente do ex-governador

Edson Casagrande – ex-secretário de Assuntos Estratégicos

Celso Frare (preso) – empresário da Ouro Verde

Aldair W. Petry (preso)

Dirceu Pupo – contador

Joel Malucelli – empresário J.Malucelli

Emerson Cavanhago – empresário

Robinson Cavanhago – empresário

Túlio Bandeira – advogado

André Felipe Bandeira

O ex-chefe de gabinete de Richa, Deonilson Rodo também é alvo de prisão da Polícia Federal (PF) na 53ª fase da Operação Lava Jato, chamada de Operação Piloto. A casa onde Beto Richa e Fernanda Richa moram foi alvo de busca e apreensão pela Lava Jato.

Empresa Ouro Verde

A assessoria de imprensa do grupo Ouro Verde encaminhou uma nota informando que "no curso ordinário de seus negócios, prestou serviços de locação de máquinas e equipamentos pesados ao Estado do Paraná durante o período de abril de 2013 a julho de 2015 após se sagrar vencedora em processo licitatório público e que cumpriu todas as suas obrigações legais no âmbito de tal contratação, inclusive havendo atualmente cobrança judicial contra o Estado por valores não pagos, apesar dos serviços prestados. Ao longo de seus 45 anos de história, a Ouro Verde jamais se envolveu e nega qualquer envolvimento com relação a qualquer ato ilícito, e tem plena convicção de que demonstrará isso de forma cabal às autoridades competentes."

Empresa Cotrans

A assessoria jurídica da empresa Cotrans disse que não teve acesso ao teor do processo e soube da citação da empresa através da imprensa. Informou ainda que não houve nenhum procedimento de busca e apreensão no local. A defesa disse ainda que a empresa se coloca à disposição das autoridades para fazer os esclarecimentos necessários.

Operação piloto

Em mais uma ação ostensiva decorrente da chamada Operação Lava Jato, a Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira, 11, a Operação Piloto, nos estados da Bahia, São Paulo e Paraná. Aproximadamente 180 Policiais Federais cumprem 36 ordens judicias nas cidades de Salvador/BA, São Paulo/SP, Lupianópolis/PR, Colombo/PR e Curitiba/PR.

O objetivo da investigação é a apuração de suposto pagamento milionário de vantagem indevida no ano de 2014, pelo Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht, em favor de agentes públicos e privados no Estado Paraná, em contrapartida ao possível direcionamento do processo licitatório para investimento na duplicação, manutenção e operação da rodovia estadual PR-323 na modalidade parceria público-privada.

As condutas investigadas podem configurar, em tese, os delitos de corrupção ativa e passiva, fraude à licitação e lavagem de dinheiro. O nome dado à operação policial remete a codinome atribuído pelo Grupo Odebrecht em seus controles de repasses de pagamentos indevidos a investigado nesta operação policial.

Os presos serão conduzidos à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba/PR onde permanecerão à disposição da Justiça.
Governo do Paraná

A governadora Cida Borghetti, candidata a reeleição no Paraná, disse que "cada um tem que responder pelos seus atos. Eu estou tranquila, em paz, fazendo o meu trabalho. Cuidando do Estado e também como candidata levando a minha mensagem à população do Paraná”, disse Cida Borghetti na entrevista a rádio Independência de Cascavel.

Cida Borghetti disse ainda que, quando assumiu o Estado, criou a Divisão de Combate à Corrupção que tem autonomia para investigar qualquer membro do governo e apoio total para trabalhar. "A divisão tem total autonomia para desenvolver esse trabalho, ou seja, receber as denúncias e investigar. Eu não compactuo com nenhuma forma de desvio de conduta e com a corrupção que imperou nos últimos anos no País”, disse.

A governadora reiterou que conduz seu governo com diálogo, mas com atitude e firmeza. "Eu peço a população que nos ajude, através do disque denúncia 181 ou do 0800 41 11 13. Repito: eu não compactuo com nenhum desvio de conduta. Tenho falado isso sempre, desde o dia que assumi o governo, há quatro meses. Hoje, inclusive, a Divisão de Combate à Corrupção também está fazendo uma grande operação contra empresas suspeitas de fraudar processos licitatórios", disse Cida Borghetti.

DER
O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) encaminhou uma nota informando que está colaborando com as operações do Gaeco e da Lava Jato. "A direção do órgão foi substituída em abril de 2018 e não tolera práticas de corrupção. O órgão permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. O DER-PR ressalta ainda que o programa Patrulha do Campo, iniciado em março de 2013, foi encerrado em julho de 2015. Já o contrato com a concessionária Rota das Fronteiras para a concessão do Corredor da PR-323 foi rescindido em maio de 2017, sem qualquer ônus para o Estado."

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