Sudoeste se une para reforçar necessidade de taxação do leite importado
Lideranças ligadas ao setor leiteiro e produtores participaram da audiência pública na Amsop. Assessoria

Amsop teme que atividade leiteira repita decadência da suinocultura na região e produtor diz que queda nos preços pode ter efeito contrário a médio prazo.

Da assessoria

A audiência pública marcada para esta sexta-feira para tratar da retomada das taxas sobre o leite importado acabou se tornando um encontro de produtores, prefeitos, representantes de cooperativas e entidades e deputados pelo fortalecimento da atividade leiteira na região. A necessidade de apoio governamental para subsidiar a produção e iniciativas para agregar valor ao leite do Sudoeste – como criação de mais laticínios e produtos lácteos – foram recorrentes nos pronunciamentos e debates.

O evento aconteceu na sede da Amsop (Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná), em Francisco Beltrão. A entidade convocou a audiência no início da semana para buscar alternativas ao fim da taxação de leite que entrava no Brasil. O governo federal derrubou na semana passada uma tarifa que existia desde 2001 para o leite em pó vindo da Nova Zelândia e União Europeia e o temor era de que essa abertura forcasse os preços do produto para baixo, inviabilizando parte da produção nacional.

“Foi uma medida do Ministério da Economia, mas sem antes consultar a pasta de Agricultura e o setor produtivo. Agora o governo estuda repor outra taxa pra compensar essas, mas porque não se evitou toda essa situação analisando melhor a questão? Esse descompasso é uma preocupação, porque a atividade leiteria está em dificuldade e não queremos que aconteça como ocorreu com a suinocultura há alguns anos, que tinha uma produção significativa na região e foi praticamente extinta”, avaliou o presidente da Amsop e prefeito de Saudade do Iguaçu, Mauro Cenci.

Efeito inverso

Atualmente, os 42 municípios do Sudoeste produzem 1,2 bilhão de litros de leite, é a maior bacia do Paraná. No entanto, segundo o produtor Sidclei Risso, de Marmeleiro, a atividade está se tornando inviável devido aos altos custos de produção. Para ele, a taxação é necessária para manter o setor a médio e longo prazo.

“O leite mais barato, inicialmente, é bom pro consumidor, mas isso vai fazer com que muitos produtores abandonem a atividade – e ai se cria um problema de ordem social, porque essas pessoas vão pra cidade – e com que a demanda de leite do Brasil fique nas mãos de estrangeiros, por isso é também uma questão de segurança alimentar”, diz o produtor, que representa uma comissão regional de agricultores. O grupo também defende melhorias no fornecimento de energia elétrica e medidas de incentivo ao setor.

Presenças

Participaram do encontro representantes de empresas, municípios e entidades da agricultura. Também o presidente da Assema, Astério Marchetti, da Acamsop, Helio Surdi, o presidente da AMP, Frank Schiavini, a deputada federal Leandre Dal Ponte e os estaduais Wilmar Reichembach, Ademar Traiano, Paulo Litro, Luciana Rafagnin, Nelson Luersen e Tadeu Veneri.

Foto 1: Presidente da Amsop, Mauro Cenci, abriu o evento; na mesa também estão Leandre Dal Ponte, Antoninho Fontanella, Tadeu Veneri, Astério Macrhetti, Luciana Rafagnin, Wilmar Reichembach, Frank Schiavini, Ademar Traiano, Paulo Litro, Nelson Luersen, Nilson Engels e Nilson Feversani.

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    Da assessoria/Amsop

    Apesar do aumento nos repasses de ICMS às prefeituras da região em junho, o primeiro semestre do ano terminou com queda de R$ 19,6 milhões nas transferências do imposto. Os meses com pior resultado foram abril e maio, quando a redução foi de 33% e 40%, reflexo da redução da atividade econômica em função das medidas de combate ao coronavírus.

     

    Os repasses de ICMS aos 42 municípios do Sudoeste totalizou R$ 261 milhões entre janeiro e junho deste ano, valor menor que os R$ 280 milhões do mesmo período de 2019, segundo levantamento feito pela Amsop (Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná). E as transferências do imposto são apenas uma das que as prefeituras recebem do governo do Estado e Federal para custear despesas e realizar investimentos e que também foram afetadas. A arrecadação própria dos municípios (com IPTU, ITBI, ISS...) foi reduzida.

     

    A União está complementando parte do FPM e aprovou o repasse de dois auxílios emergenciais a estados e municípios, mas somente uma parte destes recursos chegou às prefeituras.

     

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