Pensando o futuro da cadeia do leite
Tarsizio, primeiro da esquerda para a direita, no encontro de semana passada, na Amsop. No púlpito, deputada federal Leandre Dal Ponte. Darce Almeida/ACEFB

Na última sexta-feira, 15 de fevereiro, Joares Ribeiro, diretor executivo da Associação Empresarial de Francisco Beltrão (Acefb), e Tarsizio Carlos Bonetti, presidente da entidade empresarial, participaram da audiência pública com o tema “Alternativas ao fim da taxa de importação do leite”.

O encontro aconteceu na Amsop com a presença deputados, prefeitos da região Sudoeste, produtores rurais e do presidente da assembleia legislativa do Paraná, Ademar Traiano.

A seguir, uma análise de Tarsizio Bonetti, onde o empresário sugere algumas alternativas para o agronegócio regional.

“Quando falamos sobre a cadeia do leite, lembramos da grande pegada social da atividade. Falando em Sudoeste do Paraná são milhares de produtores que dependem dessa renda mensal para sua sobrevivência.

Fala-se muito da ameaça da importação, mas se - numa atitude drástica - o governo passar a impedir a importação de lácteos, a situação do pequeno produtor não vai melhorar. Não vai melhorar, pois temos algo maior: o ganho de escala, onde o grande produtor ficará maior e o pequeno ficará inviável. Queira ou não, isso aconteceu em todo o mundo e vai acontecer aqui também.

E agora, o que vamos fazer?! Quem sabe tentar salvar o máximo de produtores, fazendo com que produzam mais com menos custo. E os que saírem da atividade terão que buscar novas fontes de renda. Quem sabe a piscicultura, a fruticultura, o turismo rural e assim por diante.

Quem sabe incentivar a instalação de indústrias nessas localidades e distritos. Por que não uma indústria no Jacutinga para empregar uma parte da mão de obra rural e mantê-las nesse meio?! Lembrando da Alcast no Jacaré, por exemplo.

Eu participei de inúmeros encontros para tratar da crise da suinocultura no passado, e nada ajudamos. A suinocultura no pequeno produtor acabou e pronto. E olha que não tínhamos nada de importado.

Lendo os grandes jornais, observamos que o governo vai impor imposto de importação de lácteos da União Europeia, na ordem de 42%. Isso é altamente preocupante.

Os demais governos, em negociação com o nosso, farão algumas considerações. Os brasileiros querem inundar o mundo com sua carne de frango e de boi, mas estabelecem altas taxas de importação de lácteos. Um ou outro governo tem que ceder e, então, também estaremos no risco dos importados. E isso pode acontecer.

Temos que ser realistas e nos preparar para tal. É claro que os nossos parlamentares e instituições sempre serão importantes para a proteção do produtor, mas em algum momento isso poderá não ser suficiente.

Outra alternativa para o pequeno produtor é o apelo do leite de origem, como acontece na Canastra, região de Minas Gerais famosa pelos queijos especiais. Uma boa ação, que por enquanto, ainda não proliferou, foi desenvolvida pela Agência de Desenvolvimento Regional: o projeto do Santo Giorno para as pequenas queijarias, que normalmente captam o leite dos pequenos produtores. Poderíamos vender para o Brasil e para o mundo com apelo social. Tem que haver um marketing enorme. Mas é possível.”

Tarsizio Carlos Bonetti é empresário do setor do Agronegócio e presidente da Associação Empresarial de Francisco Beltrão (Acefb), gestão 2018 a 2020. 

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