Terça, 14 Julho 2020 08:35

Copel desenvolve sistema de controle externo de geração distribuída

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Projeto-piloto pode ser a porta de entrada para controlar o despacho da energia excedente produzida para a rede da distribuidora e, com isso, gerar créditos para microgeradores.

Um projeto-piloto desenvolvido pela Copel pode ser a porta de entrada para viabilizar uma das grandes vantagens da geração distribuída (GD) de energia no Paraná: controlar o despacho da energia excedente produzida para a rede da distribuidora e, com isso, gerar créditos para microgeradores.

Isso seria possível graças a um sistema que permite à Copel fazer o controle da potência de geração de forma remota. O sistema está sendo testado em dois prédios da companhia onde há painéis fotovoltaicos instalados.

O intercâmbio de energia com as distribuidoras por microgeradores já é praticado em diversos países, com regras próprias para a conexão e entrega da energia.

Os acessantes de geração distribuída produzem o que consomem e o que sobra vai para a rede, transformando-se em crédito. Quando a geração própria não produz o suficiente, eles usam a energia da distribuidora, abatendo a energia já creditada. Entretanto, no Brasil, essa realidade ainda angaria soluções para se desenvolver.

Nos últimos anos, o País vem experimentando incremento no número de unidades consumidoras com geração própria de energia. Somente no Paraná, já são quase 25 mil acessantes de geração distribuída espalhados por todas as regiões. São consumidores que investiram em um sistema de geração em suas casas, comércios ou indústrias, e que em muitos casos produzem mais energia do que consomem.

De acordo com o engenheiro eletricista Zeno Nadal, do Departamento de Projetos Especiais da Copel, no entanto, ainda não há no País uma forma de controle direto sobre os sistemas, mesmo já havendo normatização a respeito.

“São sistemas que atuam internamente, apenas. E é aí que entramos, com uma solução que faça essa comunicação conosco, nos permitindo dar comandos externos. E o gerador será remunerado por permitir o controle desse equipamento pela distribuidora”, resume Nadal.

TECNOLOGIA - O sistema é resultado do projeto de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) Controle de Despacho de Microgeração Distribuída, iniciado em 2013, em parceria com o Lactec. Por meio dele, companhia desenvolveu um equipamento, batizado de Control Box, que faz a interface entre o sistema de geração distribuída e a concessionária de energia.

Ele se comunica com o inversor solar do gerador e permite à distribuidora controlar essa “conversa” pelo mesmo sistema de comunicação usado pelos medidores inteligentes. O inversor solar é o equipamento que converte a energia gerada pelos painéis fotovoltaicos para ser usada em casa, e o medidor inteligente é o que captura as leituras do consumo de energia, comunicando-se digitalmente com a distribuidora, em tempo real.

O controle das unidades geradoras se dá por meio de um algoritmo local, com comandos enviados a partir de um centro de despacho na concessionária.

“O consumidor sequer vai sentir esse comando, e ainda terá a compensação financeira. E a distribuidora se beneficia da possibilidade de utilizar a energia reativa gerada pelos sistemas distribuídos, tradicionalmente demandada das usinas convencionais, a partir de fontes mais próximas”, explica o engenheiro.

Outra vantagem do projeto, acrescenta Nadal, é que poderá ajudar as concessionárias a mitigar problemas decorrentes da aplicação massiva de geração distribuída.

Integrado a um sistema de gerenciamento da rede, no caso da Copel, o ADMS – Advanced Distribution Management System, em implantação desde 2018 – o controle permite evitar, por exemplo, as sobretensões causadas em locais onde há mais geração do que consumo.

Os sistemas convencionais de controle em subestações e redes de distribuição possuem limitações para adequar os níveis de tensão, sendo fundamental o controle sobre as fontes geradoras distribuídas.

DA PESQUISA PARA O MERCADO - O projeto tem aplicação em sistemas de geração com potência instalada acima de 6 kilowatts, o que permite o uso em diversos sistemas fotovoltaicos conectados. Seria o caso de um condomínio ou bairro residencial ou industrial, por exemplo.

As plantas-piloto foram implantadas em ambiente de testes no polo da Copel do Mossunguê e também no prédio Smart Copel, onde funciona o Centro de Operações da Distribuição (COD), em Curitiba.

O sistema fotovoltaico que alimenta o prédio do COD tem 58,5 kilowatts de potência, composto por três inversores e 234 placas fotovoltaicas. O sistema de controle desenvolvido pelo projeto está conectado a eles e funciona perfeitamente, tendo inclusive já sido registrado junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).

Os próximos passos para a inserção desse dispositivo de controle no mercado dependem de algumas ações. Entre elas, a produção de um lote com larga aplicação em unidades consumidoras escolhidas e a integração com sistemas de comunicação presentes nas redes inteligentes, as Smart Grids. É o caso do município de Ipiranga, que já agrega todos os medidores do modelo inteligente.

“Mas também dependemos da publicação de uma resolução normativa pela Aneel para padronizar o protocolo de comunicação, que na maioria dos equipamentos já é adotado o protocolo Sunspec, além da atualização da legislação vigente quanto a novos modelos tarifários, que permitam outras formas de remuneração para micro e mini geradores”, explica Nadal.

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