“Abre tua mão para teu irmão”!

Estamos em setembro e mais uma vez, temos a alegria de celebrar o Mês da Bíblia, que, nesse ano de 2020, nos propõe refletir o livro do Deuteronômio, tendo por tema “Abre tua mão para teu irmão” (Dt 15,11).

Nada melhor para nos iluminar, nestes tempos de noites escuras causadas pela pandemia do coronavírus, do que a Palavra de Deus. Que este Mês da Bíblia nos ajude a sermos mais fiéis à Palavra de Deus, vendo-a, de fato, como Palavra de vida. É dela que nos vem força e inspiração para seguirmos nossa jornada diária com esperança!

O livro do Deuteronômio exalta a fidelidade à Lei de Deus, seus mandamentos, seus preceitos. No Cap. 15, de cujo versículo nos vem o tema da reflexão para o Mês da Bíblia deste ano, descreve exatamente um conjunto de Leis. Nos versículos precedentes o autor recomenda ao povo de Israel e hoje seu povo da Diocese de Palmas-Francisco Beltrão: “Dá-lhe, e não de má vontade, pois por essa ação o Senhor, teu Deus, abençoará todas as tuas obras e todos os teus empreendimentos. Nunca deixará de haver pobres na terra; por isso eu te ordeno: abre tua mão a teu irmão” (Dt 15,10-11). Pelo ato de caridade ilimitada,

Deus abençoa todas as nossas obras, numa tradução para 2020. O texto insiste na prática da caridade fraterna, o que chamamos de solidariedade – mãos abertas aos irmãos e irmãs que vivem às margens da sociedade, e não são poucos estes filhos de Deus que perambulam e, muitas vezes, dependem exclusivamente de nossas mãos abertas, estendidas, mãos voltadas para os que mais precisam, para os fragilizados do tempo presente.

Para o autor bíblico, como para Jesus Cristo e sua Igreja, “irmãos, irmãs” são todos os seres humanos, os próximos, os necessitados de mãos estendidas, de mãos filantrópicas, de mãos caridosas, sobretudo no Brasil, onde atualmente 13,5 milhões de miseráveis sobrevivem com pouquíssimos reais mensais.

Deveríamos pensar com seriedade: Como abolir a pobreza, muitas vezes consequência da avidez e dos nossos egoísmos? Disse Yaval Noah Harari, na sua obra “Homo Deus”, que a “fome, pestes (pandemias) e guerra sempre estiveram entre as principais dificuldades enfrentadas” (p. 11). “Sabemos bem o que precisa ser feito para evitar a fome, as pestes e a guerra”, pondera (p. 12). Pela Palavra de Deus, no Deuteronômio, temos indicações de como socorrer os seres humanos mais frágeis e carentes em todas as dimensões e para isso precisamos de conversão –, mudança de mentalidade.

Vossa palavra, Senhor, é uma luz para os meus passos!

Felizes aqueles cuja vida é pura, e seguem a Lei, a vontade do Senhor. Felizes os que guardam com esmero seus preceitos e o procuram de todo o coração. Felizes os que não cometem iniquidades e seguem seus caminhos. Oxalá meus caminhos sejam firmes para eu cumprir tuas ordens. Eu te procuro de todo o coração: não me desvies dos teus mandamentos. Cuida de teu servo e viverei para cumprir tua palavra. Sou peregrino na terra: não me ocultes teus mandatos. Instruí-me na direção de tuas normas e meditarei ao longo deste dia tuas maravilhas. Recorda a palavra que deste ao teu servo, da que fizeste minha esperança. Ensina-me, Senhor, o caminho de teus estatutos e o seguirei pontualmente. Tua palavra é lâmpada para os meus passos, luz em meu caminho. Eu medito nela o dia todo. Sete vezes por dia te louvo por teus justos mandamentos. De meus lábios brota o louvor porque me ensinaste tuas normas (cf. versículos do Salmo 118/119).

Bíblia: bem lida, um aprendizado! Pe. Luis Alonso Schökel (1920-1998), definido pelo cardeal Gianfranco Ravasi como “um dos maiores biblistas do século 20”, talvez esteja sintetizado em uma das suas máximas que tinha o sabor da recomendação para os seus estudantes: “O importante não é ler a Bíblia, mas aprender a ler”.

Dom Edgar Ertl

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