Startup do Sudoeste paranaense tem cinco anos de criação e já projeta faturamento de R$ 25 milhões
Equipe da Leigado, agtech que desenvolveu um sistema completo de gestão de propriedades para redução de custos e aumento da produtividade de seus clientes. Acervo Pessoal

Darce Almeida/Acefb

Em 2015, a startup Leigado, empresa de software para gestão do gado leiteiro, começou a ser idealizada em Dois Vizinhos, Sudoeste do Paraná, município de 41 mil habitantes.

Só não se imaginava que a Leigado pudesse crescer tanto em tão pouco tempo. Em plena pandemia da Covid-19, a Leigado está avaliada em R$ 7 milhões, está presente em 23 estados brasileiros, além de outros 5 países (México, Costa Rica, Bolívia, Paraguai e Portugal). São mais de 10 mil propriedades atendidas, totalizando mais de 130 mil animais gerenciados.

 

Conforme nota da empresa, a projeção de faturamento para 2024 é de R$ 25 milhões no ano. “Já imaginou se você tivesse a oportunidade de investir no iFood antes dele ser avaliado em R$ 1 bilhão?”, diz nota enviada pela equipe de marketing da Leigado. O aplicativo Leigado está disponível na Play Store e App Store.

 

O líder

No comando da empresa está o CEO Giandro Masson, 30 anos, que observou a dificuldade na gestão de propriedades leiteiras da família e amigos e iniciou os trabalhos há cinco anos em seu apartamento, utilizando dois computadores próprios. Um ano depois, a Leigado foi incubada na Sudotec Incubadora, localizada em Dois Vizinhos. Em seguida, recebeu um investimento anjo da Karina Thomazi, e contratou mão de obra para desenvolver a plataforma de forma mais rápida.

 

“Foi muito bem aceito pelos produtores que testaram a plataforma [app]. No final de 2016, a Leigado foi acelerada pela Cotidiano Aceleradora de Startups e após esse período ocorreram várias melhorias na plataforma. Pudemos então conquistar nossos clientes”, explica Giandro. “A Leigado é uma agrotech que trabalha com inteligência para o setor leiteiro, atendendo desde produtores de leite e assistentes técnicos até grandes empresas como laticínios, cooperativas de crédito, de leite e fábricas de ração, entregando resultados rápidos e precisos sobre os indicadores de produção, reduzindo o tempo gasto com gestão e promovendo o lucro nos detalhes em uma atividade que contabiliza centavos”, complementa Giandro.

 

Segundo Giandro, um dos maiores problemas da pecuária leiteira é a organização dos dados. Muitos produtores ainda anotam em papeis e planilhas. Dessa forma dificulta a organização desses dados e a transformação desses dados para a tomada de decisão. “Com a nossa plataforma, o produtor consegue acompanhar isso em tempo real. Nosso crescimento médio está em 15% ao mês, pois observamos que a cadeia leiteira está em constante evolução. Através da sucessão familiar e a procura crescente por tecnologia, que auxilia no aumento da produtividade, somente no Brasil, no último Censo, foram registradas 1,100 mil propriedades de leite. Destas, apenas 1% faz a gestão. Além disso, são mais de 1.800 laticínios que precisam se adequar às obrigatoriedades do governo federal. Temos um potencial muito grande a ser explorado.”

 

No início de 2020, uma nova aceleração, feita pela Ventiur Aceleradora de Startups, de São Leopoldo (RS), onde pode-se investir ainda mais na equipe, hoje multidisciplinar. Compõem a Leigado zootecnistas, engenheiros de software e profissionais de marketing, que trabalham para garantir a qualidade das soluções para os clientes.

 

No momento, a empresa está promovendo uma rodada de investimentos em aberto, no modelo crowdfunding pela plataforma da CapTable, que permite que qualquer pessoa física ou jurídica invista a partir de R$ 700 e tenha participação acionária na startup de gado leiteiro que mais cresce no Brasil e no mundo. Mais detalhes sobre esse investimento e sobre a projeção de crescimento da Leigado para os próximos anos no site da CapTable.

 

 

Henrique Camargo, coordenador do Núcleo Sudovalley, vinculado à Associação Empresarial de Francisco Beltrão (Acefb), e sócio-fundador da EdukaMaker, opina sobre o avanço de startups no Sudoeste paranaense. “Ao olhar para nossa região, podemos ver uma boa diversidade de soluções, startups de educação [edtechs], as fintechs [finanças], as foodtechs, que são soluções para o segmento de alimentos e comidas e as agrotechs, que trabalham desenvolvendo soluções para agricultura. Podemos encontrar startups de mobilidade, marketplace, varejo e as voltadas para desenvolvimentos de softwares. Nossa região é bem rica no desenvolvimento destes negócios e nota-se o surgimento de uma nova safra que começa a prosperar”. “Essa busca por entender, apoiar e fomentar novas startups, coloca a região num processo avançado de desenvolvimento tecnológico e porque não de capital, pois novas profissões e modelo de receitas, até então nunca sonhadas pela economia local, estão surgindo”, completa Henrique.

 

Tarsizio Carlos Bonetti, presidente da Acefb, acredita que é salutar quando uma empresa da região desenvolve um software para resolver problemas da região e de outras regiões do Brasil e do mundo. “Estamos felizes com esse programa de gestão de propriedades do complexo leiteiro. É preciso dar mais eficiência para esse setor econômico, que está crescendo bastante. Mas não podemos esquecer que a competitividade existe. Por isso, é preciso buscar eficiência de todo o segmento [nutrição animal, captação e transformação do leite], e principalmente os produtores, que precisam trabalhar forte na eficiência e qualidade do produto. Creio que o app contempla todas essas questões e certamente contribuirá para o desenvolvimento da agropecuária leiteira do nosso país”.

 

Depoimentos de clientes Leigado

Marcelo Gonçalves Rahal, Fazenda Santo Antônio, Piracaia (SP), conhecida pelos casarios coloniais e pelas inúmeras cachoeiras. A pacata cidade de 27 mil habitantes – 92 km da capital paulista – foi considerada este ano a mais hospitaleira do Brasil pelos usuários da plataforma de hospedagem Airbnb. “Gostaria de descrever os seguintes benefícios do aplicativo. Ambiente agradável, intuitivo, fácil manuseio, auxilia no dia a dia, no planejamento das atividades leiteiras, auxilia nos registros dos animais, relatórios disponíveis, além da possibilidade de montar nosso próprio relatório. Também auxilia no inventário da propriedade, na contabilidade, no RH [recursos humanos] e possibilidade de registrar fornecedores. Estou bem satisfeito com a empresa”.

 

Pedro Afonso Moreira Alves, Fazenda Santa Luiza, município de Rio das Flores (RJ). A cidade do interior fluminense é conhecida por ter o Mirante dos Sonhos, Cachoeira do Amor e pela forte produção de cachaça. “Sou cliente da Leigado há uns quatro anos. Estou muito satisfeito com o trabalho da empresa, é um aplicativo muito intuitivo, a gente não encontra dificuldade em lançar os dados. É muito versátil. O que eu mais gosto é que o pessoal da Leigado é muito receptivo para sugestões, o programa vai tomando a cara dos usuários. É por aí que nós temos que andar. Eles são muito ágeis para adaptar as sugestões que nós propomos”.

 

Jamar Correia Camargo, da Camargo & Camargo Empreendimentos Agropecuários, possui uma fazenda de produção de leite, localizada no município de Leopoldo de Bulhões, em Goiás. A cidade de 7.800 habitantes oferece pousadas aconchegantes aos turistas. Os animais da fazenda de Jamar produzem cerca de 2.000 litros de leite por dia, acompanhados por cinco empregados. “Conheci o aplicativo há cerca de três anos. De lá pra cá, conversamos muito, fiz sugestões e hoje o sistema melhorou bastante. Ainda tem um problema em relação ao app, principalmente em celulares com poucos recursos. E como os empregados das fazendas normalmente não têm celulares muito modernos, isso acaba atrapalhando, mas vêm melhorando gradativamente. De modo geral, o sistema é bom, tem boas opções de relatórios e consultas e consegue dar um panorama global da fazenda. O grande diferencial da Leigado é o feedback que temos com eles, o suporte é rápido e eles se dispõem a promover as alterações e melhorias sempre que solicito”.

 

Projetos futuros

Giandro destaca que a Leigado pretende realizar integrações com equipamentos da pecuária leiteira, como tanque de expansão e ordenhadeiras. “Iremos automatizar a inserção de dados. Outro foco é o desenvolvimento de inteligência artificial, para interpretar toda a nossa base de dados e entregar análises preditivas para a cadeia agropecuária e atender todo esse setor com a nossa inteligência”.

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