Corinthians conquista tetracampeonato brasileiro
O Corinthians confirmou o favoritismo e conquistou o tetra do Campeonato Brasileiro mais polêmico da história. A equipe alvinegra perdeu para o Goiás por 3x2, domingo, no Serra Dourada, mas foi beneficiada pela derrota do Internacional.
Entretanto, por causa de uma liminar concedida por um juiz gaúcho, o título ainda está sub judice. De acordo com um despacho do juiz gaúcho Mauro Borba, à 1h da madrugada de domingo, a CBF estaria impedida de declarar o Corinthians campeão se a diferença para o Inter terminasse em três pontos, vantagem adquirida pelos paulistas com os pontos das partidas remarcadas por causa do escândalo do apito. A diferença, curiosamente, foi de três pontos (81 a 78), já que os gaúchos caíram diante do Coritiba por 1x0. A CBF, entretanto, ignorou a liminar e publicou em seu site uma reportagem após a rodada proclamando o Corinthians campeão. A entidade até o momento não informou se recebeu um comunicado sobre o despacho do juiz e o caso deve se arrastar pela semana. Em meio a polêmica, o Corinthians comemorou normalmente o título e se igualou a Vasco e Palmeiras ao conquistar o seu quarto título brasileiro. Os outros foram conquistados em 1990, 1998 e 1999. História No ano de 1910, o cometa Halley concentrava as atenções do mundo todo e já indicava que seria um ano especial. Mal sabiam as pessoas que naquele ano haveria algo bem mais importante que o cometa... Quando os rios da cidade de São Paulo baixavam, suas várzeas eram preenchidas pelos amantes do então novo esporte bretão: o futebol. Na época, havia diversos clubes de elite na capital paulistana, como o Germânia, o Paulistano ou o Campos Elíseos - mas todos bem longe do que se considera um time popular. Foi então que um grupo de homens de vida humilde – os pintores de casa Joaquim Ambrósio, Antônio Pereira e César Nunes; o sapateiro Rafael Perrone; o motorista Anselmo Correia; o fundidor Alexandre Magnani, o macarroneiro Salvador Lopomo, o trabalhador braçal João da Silva e o alfaiate Antônio Nunes – decidiram fundar o seu próprio clube de futebol. No dia 1º de setembro, à altura do número 34 da Avenida dos Imigrantes (atual José Paulino), no Bom Retiro, eles se reuniram e redigiram o primeiro estatuto do clube. Faltava apenas financiamento para o sonho se realizar. Foi aí que Miguel Bataglia entrou em cena. Bataglia era um requintado alfaiate; aceitou participar e foi oficialmente nomeado o primeiro presidente do clube. O clube já tomava uma cara, mas faltava o nome. As idéias passaram por Santos Dummont, Carlos Gomes e até Guarani, mas nenhuma delas foi escolhida. Foi então que Joaquim Ambrósio sugeriu homenagear o famoso time inglês que fazia uma excursão pelo país: o Corinthian Casuals Football Club. O clube que se tornaria o mais querido do Brasil já tinha nome. A torcida e a imprensa chamavam a equipe de Corinthian’s Team. Assim, a letra “s” foi acrescentada ao nome, e o clube ganhou o elegante nome Corinthians. A primeira camisa do Timão era bege com frisos pretos nos punhos e na gola, e o distintivo com as letras “C” e “P” entrelaçadas no peito esquerdo. Havia um problema: quando se lavava o uniforme, o preto do brasão borrava a camisa bege, que também desbotava; como a diretoria não tinha dinheiro para sempre comprar outro, decidiu-se substituir o bege pelo branco. Primeiro Jogo A estréia aconteceu dez dias após a fundação, em 10 de setembro de 1910. O adversário era o União da Lapa, uma respeitada equipe da várzea paulistana. Jogando fora de casa e esperando levar uma goleada, o Corinthians já mostrava que não estava para brincadeiras, e jogando com muita raça, acabou perdendo por apenas 1x0. Foi apenas um deslize. Quatro dias depois, o Corinthians já mostraria que nasceu para vencer: 2x0 sobre o Estrela Polar. A honra do primeiro gol coube ao atacante Luís Fabi, que assim entrou para a história do clube. Depois disso, foram dois anos de invencibilidade. Com os bons resultados e o crescimento da torcida – que desde sempre já se mostrava fiel e fanática – o Timão passou a pleitear uma vaga no Campeonato Paulista. A Liga Paulista resolveu conceder uma chance, mas o Corinthians teria que disputar uma eliminatória. Não deu outra: dois jogos, duas vitórias – 1x0 no Minas Gerais e 4x0 no São Paulo do Bexiga – e o passaporte carimbado para disputar o Paulistão. Na primeira partida oficial, o Timão tropeçou no Germânia, perdendo por 3x1. Mas Joaquim Rodrigues escreveu seu nome na história do Corinthians como o autor do primeiro gol em partidas oficiais. O Coringão acabou seu primeiro Paulista em quarto lugar. Em 1914, começava a hegemonia: no segundo Campeonato Paulista que disputou, o Corinthians não deu chance para os adversários. Uma campanha arrasadora, com dez vitórias em dez jogos, 39 gols marcados e goleadas para todos os lados. Neco ainda se sagrou o artilheiro da competição, com 12 gols. O jejum Se os anos 50 foram inesquecíveis, os anos 60 não foram nada felizes para o Timão. O time perdia espaço no cenário estadual e ficou um bom tempo sem conquistar títulos de renome, se limitando a troféus como os da Taça São Paulo em 1962 e do Rio-São Paulo de 1966, divido com mais três equipes. Na única década de sua história em que não conquistou nenhuma vez o campeonato paulista, o Timão amargou, além do jejum de títulos estaduais, o tabu contra o Santos de Pelé em Paulistas. O tabu se manteve por 11 anos, com um total de 22 jogos. Teve início após o dia 21 de julho de 1957, quando o Timão derrotou o Santos por 2x1, e só foi terminar no dia 06 de março de 1968, quando Paulo Borges e Flávio fizeram os dois gols da vitória sobre o rival da baixada, fazendo a alegria da Fiel no Pacaembu. Curiosamente, foi nesse período ruim, mais exatamente em 1966, que surgiu o apelido de Timão. Na época, o Corinthians contratou jogadores de renome, sendo o maior deles Garrincha, já em final de carreira, e começou a ser chamado pela mídia de Timão. Mas se Garrincha não conseguiu tirar o Corinthians da fila, pelo menos fez com que o Corinthians ganhasse o apelido que lhe caiu como uma luva. Nos primeiros anos da década de 70, um time com craques memoráveis deu grandes esperanças ao torcedor: Rivellino, Zé Maria e o goleiro Ado, todos campeões da Copa de 70, embalavam o Timão. Mas os títulos não apareciam e a principal decepção aconteceu no Campeonato Paulista de 1974. O Timão fez grande campanha e foi o primeiro a se garantir na decisão do Campeonato Paulista deste ano – que acabou sendo contra o Palmeiras. Depois de 17 anos sem disputar uma final de Estadual, a Fiel lotou o Morumbi – estima-se que mais de 100 mil corintianos foram ao estádio – mas o final foi trágico. Naquela tarde de 22 de dezembro, Ronaldo marcou o gol que manteve o Timão na fila por mais três anos. A culpa da derrota recaiu sobre o craque do time, Rivellino, que acabou sendo negociado com o Fluminense.
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