Que jogue a primeira pedra

Mario Eugenio Saturno
A luta pela Justiça e pelos Direitos Humanos é uma luta nobre de ideologias e religiões, de homens e mulheres comprometidos com o próximo, o semelhante, a humanidade.

A Justiça e o Direito Humano nunca devem ser de crença e definição individual, mas deve ser um conjunto de regras, de axiomas, extraído do consenso e, principalmente, da empatia que um ser humano deve ter em todas as situações.
Assim, devemos nos colocar na posição da vítima... E, também, do malevolente, do pecador, do criminoso. Na primeira situação, tendemos à vingança, na segunda, injustiça. Por isso o consenso é importante, o conjunto, a variedade, a sociedade, a assembleia, a comunidade (ekklesia, em grego, igreja).
Porém, o que vemos é muita gente se colocando na condição de legislador, investigador, promotor, juiz e carrasco. A um só golpe, sem despudor algum, insensível, irrepreensível, arrogante e herético. E, muitos, ainda, usando a Bíblia como suporte ímpio às suas divagações violentas à índole humana, procurando determinar ritos e costumes desúteis à felicidade do homem e da mulher. E, alguns, ameaçando a saúde humana ou privando da medicina.
Contra esses, falou Jesus, e João registrou em seu Evangelho (João 8,1-11): Jesus estava no Templo e todo o povo em volta dele. Entretanto, os mestres da Lei e os fariseus trouxeram uma mulher. Disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Moisés, na Lei, mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?” Perguntavam isso para experimentar Jesus. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão. Como persistissem, Jesus ergueu-se e disse: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. E eles, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos. Então Jesus disse: “Mulher, ninguém te condenou?” Ela respondeu: “Ninguém, Senhor”. Então Jesus lhe disse: “Eu também não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”.
Alguns sábios especulam o que Cristo escrevia no chão, seria desdém aos homens sedentos por vingança? Ou escrevia o Decálogo, os Dez Mandamentos? Quem sabe com alguma “atualização”, já que se passaram mais de mil anos desde que Moisés libertou o povo de Deus e a língua falada no tempo de Jesus era o Aramaico. O certo é que se alguém atirasse a pedra, cometeria pecado.
Tal qual naquela época, hoje, vemos muitos “mestres e fariseus” falarem mal da Igreja. E, muitas vezes, mentiras, outras vezes, generalização de um membro para todos. Quantos não falam mal dos santos, incluso os da atualidade? Quem tem moral de falar mal de um João Paulo II, de uma Madre Teresa de Calcutá? Gente da pior espécie. Criminosos, já que a difamação é crime. Com um agravante, consideram-se limpos para atirar a primeira pedra.
* Mario Eugenio Saturno, de Bariloche - Argentina, é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor universitário e congregado mariano. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)
 

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