O INPE e a qualidade de ar das metrópolis

Mario Eugenio Saturno
Sem sombra de dúvida, o INPE é uma instituição que contribui muito para o país.  Como incentivo à juventude o INPE está abrindo inscrições para quem tiver interesse em fazer observações astronômicas no seu Miniobservatório Astronômico. A inscrição pode ser feita pelo telefone (12) 3208-7200. Também é possível fazer observações remotas pela internet, para isso basta inscrever-se pelo formulário eletrônico no www.das.inpe.br/miniobservatorio/obsremotas. Na sessão remota, os participantes podem visualizar o céu noturno a partir de suas próprias escolas, pela Internet, como se estivessem diante do telescópio que fica em São José dos Campos. Também é possível visualizar o Sol. O telescópio do INPE possui 28 cm de diâmetro, possibilitando boa visualização da Lua, planetas, estrelas duplas, aglomerados de estrelas e nebulosas.
O INPE estabeleceu uma parceria com a ABIOVE (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), ANEC (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais), Conservação Internacional, Greenpeace, IPAM, TNC e WWF-Brasil para o desenvolvimento de uma ferramenta capaz de detectar a presença de culturas agrícolas em áreas desflorestadas usando imagens de satélite. Isso permitiu ampliar a área monitorada. A ABIOVE e a ANEC tem o compromisso de não adquirir soja oriunda de áreas desflorestadas na Amazônia. E, claro, observaram a presença de soja em 6.295 hectares nos estados do Mato Grosso, Pará e Rondônia.
Já que falamos de desmatamento, o grande culpado pelas emissões de CO2 do Brasil e causa da futura desertificação do centro-oeste e sudeste, continua de vento em popa. O sistema DETER (Detecção do Desmatamento em Tempo Real), do INPE, apontou que 109,6 km2 da floresta sofreram corte raso ou degradação progressiva em maio. E, deve-se ressaltar que, nesse mês, 45% da Amazônia Legal esteve coberta por nuvens, o que impede a observação. Nos próximos meses veremos o estrago feito. E o campeão em desmatamento foi o Mato Grosso, com 51,9 km2, depois vem o Pará com 37,2 km2. O problema das nuvens só se resolverá com um satélite radar, por isso a necessidade de se injetar mais verbas no INPE com urgência.
Finalmente, para gerar previsões de qualidade do ar das grandes cidades, foi implementado o Projeto Recursos Computacionais de Alto Desempenho (High-Performance Computing - HPC), dentro do projeto South American Emissions, Megacities and Climate (SAEMC), ou Emissões, Megacidades e Clima na América do Sul. O projeto foi implementado pelo Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) e pelo Centro de Ciências do Sistema Terrestre (CCST), ambos do INPE, e pelo Centro de Modelamiento Matemático, da Universidade do Chile. Isso deve melhorar a geração de previsões e cenários de qualidade do ar para quatro metrópoles da América do Sul: Santiago, Buenos Aires, São Paulo e Rio de Janeiro.
Mario Eugenio Saturno, de Bariloche - Argentina, é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor universitário e congregado mariano. (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)
 

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