Em vez do spray, uma névoa
O nome é estranho: alé.
Assim mesmo, com letras minúsculas. Vem do francês, e é uma exaltação ao movimento. Seria uma interpretação livre da expressão alez!, ou, em bom português, avante!. No meio de tantos exóticos, nos corredores do SEMA, este triciclo aerodinâmico futurista poderia até passar despercebido. Movido por um motor Honda quatro cilindros, turbinado, com 1,5 litro, ele promete um bom desempenho na pista, mas nada indica que seja um campeão de economia. Com a mecânica inalterada, apesar de pesar apenas 635 kg, e do desenho aerodinâmico, o alé não ultrapassaria a marca de 29 km/litro segundo os padrões de testes americanos. Mas seus projetistas garantem que ele percorre 39 km com um litro de gasolina. O que faz a diferença é um sistema de alimentação exclusivo, localizado antes da borboleta de aceleração, que transforma o combustível em vapor. Sempre que o veículo anda em velocidade constante ou o motor não é muito solicitado, os bicos de injeção convencionais são desativados e ele passa a andar apenas com a gasolina vaporizada. De acordo com o engenheiro-chefe do projeto, o alé pode atingir 100 km/h em apenas cinco segundos, uma aceleração digna de um bom esportivo. Segundo ele, o passo mais importante no desenvolvimento do carro é resolver alguns problemas que ocorrem durante a transição entre o sistema tradicional de injeção e a admissão da gasolina como vapor. 1.600 km com um tanque Pelo porte e características de construção, o alé não é enquadrado legalmente como um automóvel nos Estados Unidos. Ele se enquadra na categoria dos motociclos. Mas, na Europa (e, provavelmente, no Brasil), tem o status de automóvel. O alé é um triciclo, com duas rodas na frente e uma na traseira. As rodas dianteiras tracionam e comandam a direção do carro. A configuração permite um alto desempenho nas curvas: em testes, o carro atingiu 1,7 g de aceleração lateral, usando pneus normais. O formato também ajuda a reduzir o arrasto aerodinâmico e aumenta a eficiência energética. O vapor A grande inovação do alé é o sistema de vaporização de combustível. Essa tecnologia permite que o motor funcione queimando vapor de gasolina, em vez do líquido pulverizado. A maioria dos motores utiliza uma proporção de 14,7 partes de ar para uma de gasolina. O sistema usado no alé permite uma mistura de 20 por um, sem comprometer o desempenho. Pela tecnologia tradicional, o uso dessa proporção seria inviável - seria impossível dar a partida num motor normal com uma mistura tão pobre. Com um tanque de 40 litros, o alé poderia ir quase duas vezes de São Paulo ao Rio de Janeiro sem precisar abastecer. Daria para andar mais de 15 horas ininterruptas sem parar num posto de gasolina.
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