Presa no Paraná quadrilha de ladrões de caminhões que atuava em vários estados
As polícias Civil e Militar com apoio do Ministério Público do Paraná colocaram atrás das grades 30 pessoas, entre líderes e integrantes, de uma quadrilha especializada no roubo de caminhões e cargas, financiamentos fraudulentos e desmanche e remontagem ilegal dos veículos roubados para a revenda.
Entre os presos está o advogado Túlio Marcelo Bandeira Denig, encontrado em Santo Antônio do Sudoeste e acusado pela polícia de liderar a quadrilha. Além dele, a polícia prendeu o presidente da Câmara Municipal de Realeza, vereador Geverson Tonello, acusado de envolvimento com o grupo. A polícia estima que a quadrilha movimentava pelo menos R$ 500 mil todos os meses com os roubos e transações financeiras. A Operação Sudoeste cumpriu, na segunda-feira (04), 28 mandados de prisão e outros 47 de busca e apreensão simultaneamente em 6 cidades do Paraná e também em Jaraguá do Sul (SC), Ribeirão Preto e Assis (SP) e Brasília (DF). Cerca de 130 policiais civis e militares participaram da operação. “Foram 6 meses de uma investigação exemplar, em que a polícia do Paraná, em conjunto com o Ministério Público Estadual, demonstrou toda a sua qualidade profissional. É o fim de uma grande quadrilha”, afirmou o secretário da Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari. De acordo com o delegado Luis Gilmar da Silva, a quadrilha era formada por várias “células” que agiam em diferentes estados para atender a encomendas de receptadores de cargas e caminhões roubados. “Existia uma célula responsável por receber encomendas, outra, por despachar a encomenda para que o caminhão ou a carga fossem roubados, outra específica para desmanchar o veículo, apagar os sinais identificadores e montar outro caminhão. Havia ainda células específicas para cuidar de documentação falsa, outra para lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Enfim, era um grande esquema em que todos ganhavam muito dinheiro”, explicou. Segundo as investigações da polícia, o “núcleo intelectual” da quadrilha agiria no Paraná e seria comandado pelo advogado Denig. “Ele era o responsável pelo contato entre todas as células e tinha um testa-de-ferro para que não aparecesse tanto”, disse o delegado. De acordo com a polícia, a quadrilha agiria sempre por encomenda de receptadores. “Um certo ‘cliente’ encomendava um tipo específico de caminhão ou carga e a quadrilha planejava o roubo, que acontecia normalmente em rodovias”, disse o delegado. Após o roubo, realizado por uma célula da quadrilha, o motorista do caminhão era mantido refém, em um cativeiro, enquanto os assaltantes entregavam os caminhões e as cargas. O motorista era mantido em cativeiro por até 48 horas, prazo médio para que os caminhões fossem desmontados. “Os motoristas ficavam amarrados, sofriam ameaças psicológicas e só eram liberados depois que os bandidos tivessem a certeza de que o caminhão desmontado não seria mais encontrado”, explicou o delegado. Segundo Silva, depois de desmontados e com todos os sinais identificadores apagados, os criminosos remontavam o caminhão de acordo com as especificações que continham nos documentos em mãos da quadrilha. “Eles usavam documentos de caminhões sinistrados que não são baixados do sistema do Detran, para esquentar os veículos remontados. Além disso, eles também usavam documentos de caminhões que compravam em nomes de laranjas através de financiamentos fraudados. Para isso, despachantes também participavam do esquema”, disse o delegado. As apurações da polícia dão conta que empresários do ramo de veículos (recuperadores, recauchutadoras de pneus e oficina mecânicas) se beneficiavam com o esquema, comprando os caminhões remontados. Além disso, segundo a polícia, muitas dessas empresas serviriam de fachada para lavar o dinheiro ganho com os crimes. Todos os detidos foram autuados por formação de quadrilha, roubos e furto de veículo, receptação, falsificação de documentos, estelionato, adulteração de sinais identificadores de veículos, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Foram apreendidos durante a operação centenas de documentos, cerca de 40 celulares e mais de R$ 25 mil em cédulas. Segundo o tenente-coronel, Ivo Brandalize, comandante do 3º Batalhão da PM, o sucesso da operação se deve à integração das polícias e o respaldo dado pelo Governo do estado. “A Polícia Civil e Militar trabalharam integradas, unidas, e o resultado desta cooperação é o sucesso da ação”, disse. Financiamento Além dos roubos, a quadrilha é acusada pela polícia de lucrar com a venda de veículos adquiridos através de financiamentos fraudulentos. Segundo o delegado, os veículos seriam financiados em nome de “laranjas” e, depois, a quadrilha ingressava com ações judiciais, afirmando que havia cobrança de valores abusivos por parte das financeiras. Segundo a polícia, a quadrilha requeria, então, a concessão de liminares para suspender os pagamentos, ocasião em que forneciam títulos “podres” da dívida pública como garantia da dívida. Garantida a dívida, o delegado contou que eles conseguiam o direito de utilizar os veículos financiados até a “compensação” dos títulos, o que não ocorre em menos de três anos. Depois de passado esse período, a fraude era descoberta e a financeira poderia pleitear a busca e apreensão do bem. No entanto, o veículo financiado fraudulentamente já tinha sido revendido, por um terço do valor de mercado, a outras quadrilhas que os utilizam como moeda de troca na compra de drogas ou, ainda, somente para o transporte de drogas ou mercadorias contrabandeadas. Em todo o processo de compra e venda e nas ações judiciais, a quadrilha utilizava documentos e procurações falsas.
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