Existe taxa zero para financiar veículos?

Tire 12 dúvidas em relação a empréstimos para adquirir carros

Confira frequentes questões a respeito de empréstimos para aquisição de veículos.
Quais os tipos de financiamento que existem?
As modalidades de crédito mais oferecidas no mercado são Crédito Direto ao Consumidor (CDC) e leasing. Na primeira, a documentação do veículo fica no nome do comprador, e por isso é possível antecipar prestações do financiamento que ainda não venceram para obter desconto em juros. No leasing, não dá para fazer isso antes de dois anos, por causa de uma exigência do Banco Central (BC).

Os juros do leasing costumam ser menores que os do CDC e ele não tem incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). No final do financiamento, no entanto, é preciso pagar para transferir o documento para seu nome, já que ele consta como propriedade da financiadora enquanto as parcelas não são quitadas - como em uma locação.
Até que percentual do valor do carro pode ser financiado?
Até 100% do carro pode ser financiado pelo banco ou pela montadora - algumas instituições, porém, não aceitam financiamentos sem entrada, e exigem, no mínimo, um pagamento inicial de 20% do valor do carro.
Onde é mais barato financiar: pelo crédito no banco ou pela montadora?
 
As montadoras geralmente possuem suas próprias financeiras, com condições mais em conta para o consumidor. No entanto, o presidente do Instituto DSOP de educação financeira, Reinaldo Domingos, recomenda fazer uma pesquisa em pelos menos três financiadoras e tomar cuidado com a diferença de juros e seguros, que podem variar muito de uma financiadora para outra.
Por exemplo: entre os dias 15 e 25 de abril, o Banco do Brasil cobrou 1,67% ao mês para emprestar dinheiro para compra de veículos, enquanto o Banco Volkswagen cobrou 1,80% ao mês, de acordo com ranking de juros do Banco Central (BC) para crédito a pessoa física.
Quais são as condições exigidas para financiar um veículo?
 
É necessário ter ao menos 18 anos, nome limpo nas empresas de proteção de crédito, como Serasa e Sistema de Proteção ao Crédito (SPC), apresentar CPF, RG, comprovante de residência e de renda (holerite, contracheque ou declaração do Imposto de Renda, caso seja autônomo).
Ao contrário do que acontece nos financiamentos imobiliários, para carros, o comprador pode ter simultaneamente em seu nome quantos financiamentos de automóveis quiser.
É possível vender o carro durante o financiamento?
 
Sim, desde que o pagamento das parcelas esteja em dia. É só transferir os documentos do carro - e, portanto, a dívida - para outra pessoa física, por uma taxa que pode variar entre R$ 500 e R$ 700. No leasing, isso só pode ser feito a partir do segundo ano de financiamento.
Também é possível devolver o carro à financiadora. Nesse caso, as parcelas que ainda não tiverem vencido têm direito ao abatimento dos juros. A financiadora coloca o carro a leilão, e o valor resultante da venda é usado para pagar as parcelas que restaram. Ainda assim, segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), nesse tipo de acordo não é garantida a quitação de toda a dívida, já que o valor obtido no leilão pode não ser suficiente para cobri-la.
O que acontece se o cliente deixar de pagar as prestações?
 
Se o cliente deixar de pagar uma prestação, a financiadora envia uma notificação pelo correio alertando para a falta de pagamento. A partir de três prestações não honradas, a financiadora já pode confiscar o carro. Pelo leasing, ela faz isso mais rapidamente, já que o carro fica no nome da empresa, e não no do cliente, até a quitação. Pelo CDC, pode demorar um pouco mais - é preciso que a financiadora entre na Justiça para retomar o veículo.
É possível quitar o financiamento antes do prazo combinado ou abater parte da dívida durante o pagamento das parcelas?
 
No CDC, sim. Se seu carro for financiado por meio de leasing, no entanto, você só pode quitar ou abater parte da dívida depois de dois anos, para não configurar quebra de contrato de locação e ter que pagar uma tarifa de liquidação antecipada.
Qual o prazo máximo de financiamento recomendado?
O Idec recomenda não financiar um carro em mais do que 24 parcelas, porque o consumidor irá pagar altos juros por um período de tempo maior.
Segundo o educador financeiro da Mais Ativos, Álvaro Modernell, um financiamento superior a 48 meses é fatal, porque acima desse prazo o veículo começa a sofrer depreciação. “Há risco até de o saldo devedor ultrapassar o valor de mercado do veículo, transformando o carro em um ‘mico’, porque ninguém vai querer comprá-lo”, afirma.
Para Domingos, do DSOP, não dá para fixar uma regra. Cada comprador, segundo ele, deve priorizar seus gastos, mesmo que muitos tenham a mesma renda, por exemplo. Além do tamanho da parcela, é preciso saber se será possível criar uma reserva no orçamento para a manutenção mensal do carro e para outras despesas, como IPVA, estacionamento e eventuais multas.
Quais as condições mais comuns impostas pelas montadoras quando anunciam ofertas a “taxa zero”?
 
Não existe filantropia ou gratuidade no financiamento, na opinião de Domingos, do DSOP. A taxa zero significa que os juros já virão embutidos nas parcelas mensais do financiamento. Por isso, segundo ele, é preciso multiplicar as parcelas pelo prazo de financiamento para conferir o valor total que será pago ao fim do contrato. Subtraindo o valor do carro à vista, você poderá ver o quanto de juros irá pagar.
Como funciona o sistema de começar a pagar as prestações primeiro e deixar a entrada para depois?
 
Quando o comprador dá uma entrada e financia apenas parte do valor do veículo, só paga juros em cima desse montante. Ao pagar uma entrada só depois de ter liquidado algumas parcelas, o valor dela também terá incidência de juros. Para Modernell, essa oferta das concessionárias é uma “cobrança disfarçada” para concretizar o mais rápido possível a venda de um carro - mesmo caso da “taxa zero”.
A taxa de juros acertada na assinatura do contrato pode ser alterada durante o prazo de pagamento?
 
Não. A taxa só mudará se for feita uma renegociação da dívida.
É possível renegociar o valor das parcelas (para mais ou para menos) durante o financiamento?
 
Durante o financiamento, não. Só renegociando o contrato. O que dá para fazer é antecipar o pagamento mensal e conseguir desconto nos juros que você pagaria nessa parcela.
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