O que revisar antes de pegar a estrada

Revisão antecipada antes de viajar nas férias evita falhas e é simples de executar



Por Rodrigo Machado de Auto Press especial para MotorDream
O período de férias já começou e com ele o número de viagens de carro aumenta consideravelmente. E uma cena muito comum nas estradas é ver carros enguiçados ao longo do acostamento. Para diminuir os riscos de estragar o lazer, é sempre mais do que recomendável verificar se a "máquina" que vai levar a família está em boas condições. Até porque uma falha mecânica pode ocasionar, em casos extremos, acidentes. O lado positivo é que a grande maioria dos componentes do automóvel pode ser verificada com rapidez e facilidade. E a evolução tecnológica tem deixado essa tarefa ainda mais simples.

Em primeiro lugar, a parte "legal" do carro precisa estar em ordem. Itens como o licenciamento do veículo e seguro muitas vezes são esquecidos na hora de pegar a estrada. "É muito comum lembrar desses detalhes quando a viagem já está muito próxima. Nesse caso, é melhor fazer tudo com antecedência" explica Gerson Burin, analista técnico do Cesvi  Centro de Experimentação e Segurança Viária. Ter o telefone da seguradora para o caso de emergência também é importante. Os equipamentos de segurança previstos por lei como extintor de incêndio, triângulo e cintos de segurança também são fundamentais não só para não ser pego em uma blitz, mas para agir em caso de algum imprevisto.

O próximo passo é igualmente simples e pode ser executado em um posto de combustível. "Verificar os principais componentes externos e mecânicos é bem fácil. Dá para fazer tudo em cerca de meia hora e evitar muito aborrecimento" aconselha Francisco Satkunas, engenheiro e conselheiro da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade  SAE Brasil. É o caso dos pneus. O TWI  linha medidora na própria peça  ajuda a indicar se o pneu já está muito desgastado. Quando a banda de rodagem se igualar à faixa transversal TWI, está na hora de trocar o pneu. Para calibrá-los, deve-se seguir as indicações do manual do proprietário  inclusive o estepe  enquanto estão frios. Atenção para a pressão que deve ser colocada para o carro com a carga máxima. Macaco e chave de roda, ferramentas indispensáveis na hora da troca da roda, também precisam estar em ordem. A iluminação externa é outro item banal para ser checado pelo próprio motorista.

Já alguns componentes no compartimento do motor podem ser conferidos pelo frentista, sem muitas dificuldades. Caso do nível de óleo do motor, do nível de água, do filtro de ar e até mesmo da água do limpador do pára-brisa. A palheta do limpador também pode ser trocada e não pesa muito no bolso. Uma palheta desgastada pode deixar o condutor na mão, ainda na mais no verão, época de chuvas fortes. "Se algum destes componentes estiver com pouco tempo faltando para serem trocados, o mais indicado é antecipar essa troca. Não vale a pena rodar longas distâncias com um óleo velho, por exemplo", aconselha Harley Bueno, diretor de segurança veicular da AEA  Associação Brasileira de Engenharia Automotiva.

Mas para a viagem ser ainda mais segura, fazer uma revisão na oficina é sempre recomendado. Isso porque lá são realizados serviços como alinhamento e balanceamento do veículo. Os dois são muito importantes não só para a segurança, mas também porque melhoram o consumo e minimizam desgastes prematuros dos pneus. "Como na cidade não se chega a velocidades elevadas por muito tempo, não dá para verificar se o carro está com algum problema de balanceamento, alinhamento ou vibração", completa Francisco Satkunas.

A vibração também pode ajudar a detectar algum problema nas borrachas do compartimento do motor. Na revisão também é indicado checar se as mangueiras e cabos não estão ressecados. Já os freios merecem atenção especial. É fundamental verificar o estado das pastilhas antes de pegar a estrada. Uma maneira de se checar isso é ficar atento a eventuais barulhos durante as frenagens. Eles podem sinalizar para uma necessidade de troca. Em relação à transmissão, as automáticas são as que precisam de mais atenção. Isso porque esse tipo de câmbio tem um reservatório de óleo próprio e é preciso checar o seu nível e possíveis vazamentos. "Uma maneira fácil de ver se o compartimento está vazando é olhar no próprio chão da garagem pela manhã", ensina Gerson Burin.

O check-list básico

# Pneus: verificar desgaste e calibrar com a pressão indicada no manual do proprietário, sem esquecer do estepe.

# Suspensão: estado dos amortecedores e molas.

# Nível dos reservatórios: óleo, água, fluído do freio, reservatório de combustível de partida a frio, óleo da direção hidráulica e água do limpador do para-brisa.

# Freios: estado e validade das pastilhas e pinças.

# Borrachas: cabos e mangueiras podem estar ressecados.

# Iluminação: faróis, faróis de neblina, piscas, luzes de freio e lanterna.

# Filtros: de ar, de óleo e combustível.

# Alinhamento e balanceamento: evitam o desgaste prematuro dos pneus, aumento do consumo de combustível e deixam a condução mais segura.

Perigos em duas rodas
Se nos carros a atenção tem de ser redobrada na hora de se pegar uma longa estrada, nas motos a preocupação precisa ser ainda maior. Grande parte das recomendações feitas para os usuários de carro também podem ser feitas para os motociclistas, como verificar o óleo do motor, parte elétrica e cuidados com o freio. Mas na hora de calibrar os pneus, por exemplo, caso o condutor for levar algo ou alguém na garupa, a pressão de ar no pneu traseiro deve ser normalmente maior do que a no dianteiro para compensar o peso extra  segundo o manual.

Em relação ao equipamento do piloto, é essencial conferir se o capacete, objeto de uso obrigatório pelo Código de Trânsito Brasileiro, está dentro da validade. É ele que vai proteger a cabeça do condutor em caso de queda. A viseira também merece cuidado e precisa estar sempre limpa e sem riscos. Também é interessante para o condutor vestir roupas de cor clara, principalmente à noite, para ficar mais visível para outros motoristas. Jaquetas, botas, calças, luvas e capas de chuva também são artigos importantes para manter o piloto protegido e aquecido.

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