Perigo sobre duas rodas
O grande número de motociclistas circulando diariamente pelas ruas das principais cidades do Brasil se tornou um problema também para as autoridades responsáveis pela administração das rodovias do país. De acordo com levantamento do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) do mês de março de 2005, são 6.264.051 motos circulando pelo Brasil. Só a região sudeste concentra 2.711.774 desses veículos, 1.582.101 apenas em São Paulo. “A circulação de motos nas rodovias cresceu muito em todo o país nos últimos anos”, afirma o diretor de operações da Artesp, Sebastião Ricardo. “A motocicleta é um veículo leve e útil. Além disso, tem sido usado por muitas pessoas como uma alternativa ao carro, já que é muito mais barato”, completou.
“Hoje, 70% das pessoas que compram motos o fazem para substituir os carros e o transporte público. São pessoas que estão chegando agora e que ainda não têm tanta malícia na condução das motos”, alertou o presidente da Associação Brasileira de Motociclistas (Abram), Lucas Pimentel. E a inexperiência de alguns condutores, somada ao grande número de motociclistas circulando pelas rodovias, é um dos principais fatores que tem deixado a Artesp com o sinal amarelo acesso: os acidentes envolvendo motos têm crescido a cada ano. “No ano de 2002 e 2003 o número de acidentes com moto cresceu muito e nos assustou. Desde então, começamos a trabalhar as motocicletas como um fator separado”, confirmou Sebastião Ricardo. E a preocupação da Artesp faz sentido. Nos 3,9 mil quilômetros de rodovias administradas por 12 concessionárias no estado de São Paulo foram registrados 2.260 acidentes envolvendo motos em 2001. No ano seguinte, o número saltou para 2.718. “Em 2004, nós registramos 3.767 acidentes e, até maio deste ano, já foram 1.697. Proporcionalmente, devemos estourar a casa dos 4 mil acidentes até dezembro de 2005. Estamos com um aumento de praticamente 100%”, adiantou o diretor da Artesp. Não bastasse o aumento de acidentes, os registros de mortes também assustam. Em 2004, 112 pessoas morreram em ocorrências envolvendo motocicletas nas rodovias concedidas de São Paulo. “O acidente é, sem dúvida, o nosso maior desafio quando o assunto é motocicleta. Ainda mais porque, em rodovias, esse tipo de acidente é fatal”, considerou Lucas Pimentel. Apesar de desenvolver trabalhos ao longo de toda estrada, a principal preocupação das autoridades de trânsito está no perímetro urbano das rodovias. “O maior número de acidentes é registrado no perímetro urbano. Em média, são 30 por dia em São Paulo e infelizmente dois deles são fatais”, afirmou o presidente da Abram. “As regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas apresentam um movimento muito grande de motociclistas e, conseqüentemente, concentram a maior parte dos acidentes”, completou o diretor da Artesp, Sebastião Ricardo. Para conter o crescimento dos números, a Artesp estuda um trabalho específico de prevenção de acidentes. “Estamos preparando com as concessionárias uma campanha preventiva. Mas essa campanha tem de ser bem feita para atingir toda a categoria. Só outdoor não basta”, finalizou Ricardo. O perfil dos motociclistas Entre os seis milhões de motociclistas brasileiros há espaço para estradeiros, esportistas, profissionais e usuários de moto. No entanto, apesar da diversidade, não é difícil traçar um perfil da maioria dos motociclistas – ou motoqueiros, como são popularmente conhecidos. Um levantamento da Artesp apontou que 54% das pessoas usam a moto como meio de trabalho; outros 27% usam para serviço de moto-frete; 15% dos motociclistas usam o veículo para lazer; 3% para outras finalidades e 1% para moto-taxi. E, em meio a tantos números, uma categoria especial tem chamado atenção das autoridades de trânsito, tanto nas cidades, quanto nas rodovias: os motoboys. “Cerca de 65% dos acidentes são com pessoas que prestam serviços, inclusive os motoboys”, afirmou o diretor de operações da Artesp, Sebastião Ricardo. “O motoboy é o nosso foco principal, porque eles rodam por dia cerca de 200 quilômetros, tanto na cidade, quanto em estradas. Eles têm uma rotina estressante e são vítimas de muitos acidentes, alguns deles, fatais”, completou o presidente da Associação Brasileira de Motociclistas (Abram), Lucas Pimentel. “Esse é um serviço que cresceu bastante e tem crescido a cada ano. Ao mesmo tempo em que você tem empresas que estão altamente preparadas para prestar esse serviço, você tem aqueles que estão despreparados, e eles são as principais vítimas dos acidentes”, comparou Ricardo. Para o presidente da Artesp, Ulisses Carraro, um dos principais fatores para o grande número de mortos em acidentes envolvendo motociclistas é a falta de segurança. “Muitos condutores não usam os equipamentos necessários de segurança. Além disso, eles usam motocicletas de baixa cilindrada, circulando com excesso de peso”. Pensando nesse público, a Artesp está desenvolvendo uma campanha preventiva, em parceria com representantes da categoria. “Algumas concessionárias estão fazendo o pit-stop da moto, onde o motociclista encontra serviço de verificação do veículo e exames de saúde para o próprio condutor”, afirmou Ricardo. “A tendência é estendermos isso para todas as concessionárias”, concluiu. “Doze Mandamentos” dos motociclistas Enquanto as autoridades procuram meios de fazer uma campanha que atinja de forma eficaz todos os motociclistas, algumas dicas básicas – e de conhecimento de grande parte da categoria – devem ser seguidas por aqueles que não querem fazer parte das estatísticas de mortes nas estradas. A Associação Brasileira de Motociclistas (Abram) tem uma lista com “Doze Mandamentos” para a segurança dos motociclistas nas ruas e nas estradas brasileiras. 1 – Mantenha a motocicleta sempre em ordem Verifique a calibragem e o estado geral dos pneus; verifique farol, setas, lanterna e luz de freio; Verifique o cabo, lonas, ou pastilhas, fluido e a regulagem se for freio hidráulico; verifique o cabo, e a regulagem da folga ideal do sistema hidráulico; verifique os amortecedores traseiros e as bengalas dianteiras quanto a vazamentos; verifique a vela, cachimbo e cabo; troque periodicamente o conjunto de coroa, corrente e pinhão; tenha sempre a mão a CNH, DUT, IPVA e o seguro obrigatório; utilize o protetor de pernas ("mata-cachorro”) e antena anti- cerol. 2 – pilote utilizando equipamentos de segurança Capacete aprovado pelo INMetro; calça e jaqueta de tecido resistente (preferencialmente de couro); use sempre botas ou sapados reforçados e luvas, de preferência de couro. 3 – reduza a velocidade Quanto menor a velocidade, maior será o tempo disponível para lidar com o perigo de uma condição adversa ou situações inesperadas, como mudança súbita de trajetória de outro veículo. 4 – atenção e concentração O ato de pilotar motocicletas exige muita atenção do motociclista, por isso evite se distrair. 5 – respeite a sinalização de trânsito Conheça e respeite os sinais e as placas de trânsito. 6 – cuidado nos cruzamentos Os cruzamentos são os locais de maior incidência de acidentes de trânsito, então redobre a sua atenção e reduza a velocidade ao se aproximar, principalmente nos cruzamentos sem sinalização de semáforos. 7 – cuidado nas ultrapassagens Sinalize com antecedência sua manobra e certifique-se de que você realmente foi visto pelo motorista a ser ultrapassado; cuidado ao passar entre veículos, principalmente ônibus e caminhões. 8 – cuidado com pedestres Lembre-se de que o pedestre tem prioridade no trânsito urbano; seja cordial e cuidado com os pedestres desatentos, principalmente crianças e idosos. 9 – seja visto Ao pilotar à noite, use roupas claras e com materiais refletivos; se estiver em rodovia ligue o pisca alerta. 10 – alcoolismo Está mais que provado que bebida e direção não combinam. Então, se beber não pilote, fique vivo no trânsito. 11 – mantenha distância É imprescindível manter uma distância segura dos veículos à frente (cerca de cinco metros) principalmente em avenidas e rodovias. 12 – cuidado com a chuva Redobre a atenção, reduza a velocidade e evite freadas bruscas; lembre-se de que nestas condições o tempo de frenagem é duas vezes maior que o normal.
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