Os “negros” brasileiros são africanos?

Mario Eugenio Saturno
Sempre achei muito estranho algumas pessoas, com poucas características dos negros africanos considerarem-se “negros”. Creio que todo brasileiro que tenha algum antepassado mais antigo no país traz em si uma miscigenação. E isso parece ser verdade mesmo, ao menos é o que indica uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), coordenado por Sérgio Danilo Pena e publicado na revista “PLoS One”.


Os pesquisadores analisaram o genoma de 934 pessoas, observando um conjunto de 40 variantes de DNA, chamados indels (inserção e deleção, na sigla). Essas variantes são pequenos pedaços do genoma que sobram ou faltam no DNA de cada um. E cada região do planeta tem seu próprio conjunto de indels na população.
Assim, podemos rastrear o DNA de alguém e verificar se veio da África, Europa, ou qualquer outra região. Pode-se ainda, no caso de miscigenação, estimar a proporção dos ancestrais que vieram de cada continente. Ou seja, uma análise pode mostrar de onde vieram seus ancestrais.

Os pesquisadores afirmam que os genes da cor da pele e dos cabelos são muito poucos e desprezíveis na herança genética. Assim, o leigo toma esses efeitos visíveis como indicativo de raça, mas estão enganados.

Os pesquisadores descobriram que de Belém a Porto Alegre, a ascendência europeia nunca é inferior a 60%, nem ultrapassa os 80%. A menor contribuição é a indígena e que só passa dos 10% na região Norte do Brasil. Isso mostra que muita gente que se diz negra, querendo remeter ancestralidade à África, não passam de europeus com pele escura.

*Mario Eugenio Saturno (mariosaturno.blog.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.

Ler 792 vezes
Entre para postar comentários
Top