Opan Gangnam Style?!

Não é novidade que hits surjam ao acaso na internet.

O homem fábula

Em tempos de eleição, fala-se muito mais em corrupção do que no evento máximo da democracia brasileira. É fato que o povo tem feito das palavras corrupção e eleição sinônimos, contudo, a grande maioria mal sabe o significado de ambas; mal sabe que existe uma parcela significativa de políticos que realmente preocupam-se com o bem de suas comunidades e, pelo o que me parece, não conhecem o poder de seus votos. Não me cabe falar sobre um assunto no qual sou leigo, mas, acho que posso arriscar umas duas ou três linhas na filosofia da corrupção.

Confrontos de ideias públicas sempre causam alvoroço. Nos dias 29 e 30 de julho acontecerá o primeiro vestibular do curso de medicina da Unioeste campus de Francisco Beltrão. A aprovação do curso vinha sendo pleiteada há muito tempo por uma maioria que o vê como fonte límpida para a “lavagem” de problemas regionais, tais quais a falta de médicos e a necessidade de um grande centro de saúde. Um dos empecilhos, talvez o maior de todos, tratava-se da necessidade de um espaço adequado às exigências da academia médica, tendo em vista que o Campus de Francisco Beltrão da Unioeste já possuía cursos importantes e que esses cursos necessitavam dos ajustes constantes, direcionar uma quantia maciça de dinheiro destinado a preparação do “terreno” para os acadêmicos tratava-se de uma árdua tarefa. Em meio à euforia dos vestibulandos de medicina e dos apoiadores do projeto, surgem os “Anti-heróis” que, basicamente, defendem duas ideias: “Não estão sucateando o ensino abrindo cursos sem “firmes estruturas”?” e “Por que o dinheiro não foi investido na melhoria dos cursos já existentes?”. 

A proporção “Candidato/Vaga” é atípica. São quase cinco mil inscrições, cinco mil que batalharão por uma das, tão sonhadas, quarenta vagas do curso, por consequência, levando em consideração que pelo menos ¼ dos inscritos seja de regiões mais distantes, em que compense alojar-se em Beltrão, e que desses ¼, ½ traga um acompanhante, serão mais de cinco mil pessoas “sobrando” na cidade, consumindo, conhecendo, idealizando investimentos... Com o passar dos tempos, a cidade receberá em massa vestibulandos que se prepararão para o vestibular em terras beltronenses. Os Cursinhos aumentarão sua renda, pagarão mais impostos; esses futuros calouros deverão ficar em algum lugar, alimentar-se em algum lugar... A cadeia de relações é enorme! Contudo, parece que a euforia dos aspirantes a “BIXO” afetou também os donos de imóveis, logo que, esses aumentaram significativamente seus aluguéis; lotes foram extremamente valorizados; cada cidadão beltronense pensa: Como estará o trânsito nos dias do vestibular? 

O polo regional de saúde que se formará vai tornar-se referência. A região sudoeste realmente necessitava de um grande centro de atendimento médico; apesar das cidades de Francisco Beltrão e Pato Branco serem referências em alguns tratamentos específicos, o ambiente proporcionado pelas pesquisas universitárias, pela inovação de tratamentos médicos, trará evoluções resplendorosas no atendimento ao povo sudoestino. Além disso, a necessidade de médicos será suprida em pouco tempo; levando em consideração que a maioria dos vestibulandos da região dará como preferência o campus de Francisco Beltrão, depois de formados esses acadêmicos desejarão voltar a suas cidades, em alguns anos teremos um dos grandes problemas dos hospitais públicos resolvido. 

Toda espécie necessita seu habitat adequado para sobreviver.  Das coisas que me lembro do cursinho, parece-me soar como ontem esses dizeres.  Criar o habitat para acadêmicos de um curso da saúde não é algo tão simples como parece a uma grande maioria. São necessárias muitas horas de trabalho organizando o material adquirido, sem contar na dificuldade em conseguir material de estudo para anatomia, por exemplo. Os investimentos realizados para a construção do hospital regional e das salas e laboratórios para o curso médico, são essenciais para a garantia da boa formação dos futuros profissionais que cuidarão das famílias do Sudoeste. Não há como preparar um médico sem deixá-lo praticar a medicina, na minha tão humilde opinião, aprende-se muito mais na prática do que na teoria. A teoria é necessária para o sucesso da prática, contudo, a “noção” prática parece auxiliar o entendimento teórico. Sendo assim, laboratórios e demais “apetrechos” são mais do que necessários e gastos com eles são perfeitamente compreensíveis.

Toda moeda tem sua Cara e sua Coroa. Pensar a abertura do curso de Medicina no Campus de Francisco Beltrão da Unioeste tão somente como uma forma fácil de resolver grandes problemas do ensino superior é desconhecer a realidade regional. Todo investimento em educação, seja em ensino fundamental ou superior, é válido! Não se pode agradar a todos, não há como atender a todas as vontades ao mesmo tempo. Tanto os acadêmicos que reivindicam seu Restaurante Universitário a mais tempo do que os futuros calouros de medicina estão certos em seus pontos de vista, por conta disso, ambos devem ser ouvidos e analisados, assim como tem sido feito pela equipe da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Devem ser construídos laboratórios aptos às necessidades do curso, fornecidos os materiais necessários ao estudo eficiente da ciência médica; a única coisa que não deve ocorrer é a sucateação do ensino. Deve ser dada igual atenção a todos os cursos do campus, o que não pode  ocorrer é o exílio do novo. É necessário que tudo seja feito com a mesma atenção que se veio tendo até então, caso contrário o sonho da medicina de tantos vai virar o pesadelo de muitos mais. 

A todos que prestarão o vestibular, boa sorte! 

 

Alencar Junior Proença, 18 Anos, Acadêmico do 2º Período de Medicina.   Twitter: @AlencarJrP

Muito se tem falado acerca da greve das universidades federais; politicamente falando. Com os tempos de disputas partidárias “batendo” a porta dos brasileiros, uma greve que envolve o alto escalão de produção intelectual do país é um prato cheio para discussões interpartidárias; o interesse dos debates deveria ser buscar o melhor para o acerto e o fim da greve, mas, não é o que estamos vendo e lendo. 

Terminando

Terminar um trabalho é algo que exige tanto quanto começá-lo.

O peso das “lapidadas” finais é ainda maior se o empenho para iniciar a obra foi gigantesco, parece que a cunha insiste em escapar de seu prumo e o martelo procura seu dedão a todo instante. Seja esculpindo uma obra de arte ou terminando um semestre na universidade, parece que a trajetória final do primeiro de doze “rounds” pesa muito mais do que qualquer outra parte do trabalho.

Quando estava no cursinho, ouvia meus colegas que já se encontravam nos bancos universitários reclamando a todo instante do “Fim do Semestre!”. Pensava: “Nada deve ser mais difícil do que entender todo o conteúdo do ensino médio para uma única prova.”. Estudava tudo o que podia para medir meus conhecimentos em UMA prova. Não poderia haver nada mais duro do que isso, afinal, na universidade são várias provas de matérias relacionadas à sua aptidão e vocação. LEDO ENGANO! No meu primeiro fim de semestre na universidade me vi louco para conseguir assimilar todo o conteúdo das provas e lidar com o cansaço. Por mais que dormisse no fim de semana, o cansaço mental parecia não consumir-se, talvez fosse o stress ou o medo em deixar a média decair no final... não sei, mas, parece que a vontade quase incansável de estudar, que pairava no início do semestre, havia desaparecido.

Se não bastasse essa carga mortífera do fim de período, as duas provas mais difíceis foram guardadas para o Gran Finale. É um tanto lógico que o conteúdo vá gradativamente tornando-se mais difícil no decorrer do curso, afinal, para alçar grandes voos deve-se primeiro aprender a voar, mas, cá para nós: O fim de período poderia ser menos desgastante.

O cérebro humano funciona sob um regimento de “Trabalho x Recompensa”. Você então vai pensar: Qual a relação disso com o fim de algo? Explico: Toda a dureza do término do período é recompensada por um mês inteirinho de férias! Voltar para casa, dormir oito horas por dia, alimentar-se nos horários certos sem peso na consciência de “Eu poderia estar estudando pra prova de neuroanatomia.”. Sem falar, é claro, na saborosa comida de mamãe! Aquela história que: “Começar é o mais difícil”, é estória! Do que serve a moldura perfeita de um quadro se a pintura não é agradável? Terminar algo é complexo, botar um ponto final exige atenção. Que venham as doces férias recompensatórias!

Alencar Junior Proença, 18 Anos, Acadêmico do 2º Período de Medicina.   Twitter: @AlencarJrP

Os dias realmente são outros na internet. Eis que está ocorrendo algo que deveria ter acontecido há muito tempo: Papai e Mamãe estão na INTERNET! Para alegria de alguns (os que detestam suas linhas do tempo poluídas por criancices, tolices e demais demonstrações de falta de senso) e tristeza de muitos, (galera que só dá “azia” na rede) é crescente o número de pais que estão “educando” seus filhos de modo “High Tech”! Na última semana doze pais de colegas/conhecidos/tenho no facebook me adicionaram. O fato é embalado, claro, pela crescente abrangência da rede social que, de forma ou outra, está envolvendo várias áreas do mercado econômico, porém, casos de progenitores repreendendo seus filhotes em tempo real denotam clara evolução do entendimento paterno do “Educar em tempos de tecnologia”. O que acho? Bacana, muito bacana! Porém, é tarde...


Nos meus tempos de pré-adolescente, veja que não faz tanto tempo assim, havia várias redes sociais. Esses sites davam indícios do que viria posteriormente, quando suas ideias principais fossem unificadas. Foi isso o que Orkut e posteriormente, com perfeição, fez o facebook: Uniram tendências de sucesso em um único lugar. Como ia falando dos meus tempos, lembro-me bem do Pentium três, a moda eram os sites de compartilhamento de fotos. Esses sites não ofereciam utilitários como “ser amigo” ou “chat em tempo real”, você basicamente dispunha de duas postagens por dia. Uma foto e uma legenda. A galera podia seguir seu perfil e comentar suas fotos. Até aí, tudo lhes parece familiar, contudo, havia um problema: Novidade! Tudo era novidade pra minha geração! Nem se fale para a maioria dos pais! As novidades eram tantas! A galera não queria parar de postar as fotos, de comentar para receber comentários, passavam suas senhas para amigos postarem fotos deles... Nada que o facebook não tenha, certo? Errado! Naquele tempo não havia pais para olhar e dizer: “Filho, que foto é essa? Tire essa porcaria daí já!”, tão menos para comentarem em baixo daquela foto da balada: “Então você está bebendo cerveja na faculdade mocinho, teremos uma conversa.” É uma pena, mas, muitos pais chegaram tarde. No tempo do Flogão, Fotolog e outros sites de compartilhamentos de fotos, a piazada não tinha vida social, não dependiam de sua imagem para arrumar um trabalho ou concorrer a uma vaga em um concurso qualquer...    
 
O passado baterá, sem dúvida, na porta de uma galera! Levando em consideração que muitas empresas e corporações analisam o histórico de seus futuros funcionários na internet, as tantas fotos e declarações “fotologuianas” são um perigo iminente para aqueles que gostavam de “zoar na 4x4”.  Como não se poder voltar atrás, o que resta fazer é remediar as atuais gerações, que, cá para nós, estão muito piores. Peço encarecidamente aos senhores pais: Vejam o que seus filhos fazem na internet. Eduquem não tão somente para esse mundo real. Façam cursos, aprimorem-se! Vale a pena! É preferível perder algumas horas olhando o perfil do seu “muleque” hoje, do que outras tantas respondendo um processo por danos morais. “Mas o que meu filho fez?” Você irá perguntar. “Como vocês deviam saber, ele denegriu a imagem do professor em seu perfil do facebook.”.  Saber faz bem a saúde; educar também. Aos pais que aderiram à ideia e estão olhando de perto o que seus filhos fazem: Meus parabéns! Contudo, por favor, deem exemplo nas redes sociais.
 
Alencar Junior Proença, 18 Anos,
Acadêmico do 1º Período de Medicina.   
Twitter: @AlencarJrP

A tecnologia

 Tornou-se sagrado: preparo um Nescau, um pacote de bolachas recheadas, dou-lhe uma ajeitada na minha cadeira, inicio o computador, abro a internet e então pesquiso algo para tratar na coluna. Pode não parecer, mas, todo texto, antes de ser escrito, passa por uma barreira semi-permeável de: Será útil ou não. Não falarei dessa barreira imaginária que visa selecionar as “menos piores” ideias que tenho para cá. O detalhe é que essa semana, quando começava o ritual do pré texto, quando fui ver as tendências na internet... onde estava ela? Como analisaria os temas de textos? Se fizesse a coluna aleatoriamente, como mandaria ela para o senhor Hednilson publicá-la? Peguei-me então pensando no quanto estamos envolvidos com as diversas formas de tecnologias. Pode parecer e é incomum viver sem tecnologia. Pense você: Como é viver um dia inteiro sem eletricidade?


A tecnologia manifesta-se de diversas formas. De origem grega, a palavra trata-se de um termo que envolve basicamente conhecimento técnico científico e ferramentas. Dentre as revoluções tecnológicas, em meu humilde ponto de vista, a mais importante foi a descoberta do fogo. No momento em que o homem descobriu e dominou o fogo, tudo mais que ele inventasse seria para seu sossego e conforto. Com o Fogo o homem primitivo era capaz de assar seu alimento, fato que melhorou significativamente sua alimentação, tanto de carne como raízes e vegetais. Com o fogo o homem espantava e afugentava animais que antes lhe ameaçavam facilmente. É claro que revoluções futuras foram essenciais para chegarmos até aqui, mas, o domínio do fogo fora chave para a dominação hominídea. 
 
A facilidade de comunicação é uma das mais úteis formas de tecnologia. Celulares, tablets, redes sociais... nada disso seria possível sem a, abandonada, máquina de escrever! Quantos documentos, músicas e leis foram “batidas” em suas teclas gélidas, que, volta e meia travavam? Não podemos questionar a versatilidade e facilidade proporcionada pela internet e tipos como o Ipad, tão menos falar que a máquina foi a maior revolução na área, contudo, podemos afirmar que ela foi fundamental. Pensar que o tempo de publicação foi, quem sabe, reduzido a 1/3 do normal é como pensar, na atualidade, uma internet discada e outra ADSL. 
 
A tecnologia é vista sempre pela lei do oito ou oitenta. Li muito ao seu respeito, contudo, encontrei pouquíssimos artigos que apontavam seu lado bom e ruim. Claro que inúmeras coisas foram facilitadas e que essa facilidade teve um custo. Não busquei falar sobre isso, tão menos pensar isso neste texto. Quis mesmo pensar nas verdadeiras revoluções. A escrita, por exemplo, dividiu a história entre Pré-história e História. Já que estava sem internet, resolvi inovar e escrever o texto “a mão”, mesmo que depois, tivesse que passá-lo para o PC. Como é prazeroso e penoso o trabalho. Dominar uma tecnologia não se trata de ter o melhor celular e usar todos seus aplicativos, mas, sim, de explorar tudo o que algo lhe oferece.  Antes que a caneta comece a falhar, vou findando essas letras, que tendem cada vez mais à caligrafia médica, por aqui. Com rabiscos, sublinhados, cheirinho de tinta de caneta Bic e farelos em cima do papel. Pensando bem, ficar sem luz por um dia todo nem deve ser tão ruim assim. Escrever a coluna sem PC não matou ninguém...
 
Alencar Junior Proença, 18 Anos,
Acadêmico do 1º Período de Medicina.   
Twitter: @AlencarJrP

Quando pensamos em tecnologia e inovação nos vem a cabeça países como Estados Unidos, Japão, Alemanha; terras da criação, da fantasia, da imaginação, onde o que você quiser pode, e deve, ser inventado. Então miramos no Brasil. Berço da criatividade, onde tudo que parece complexo encontra uma resolução simples. Pense por exemplo no chinelo, popular “havaiana”, que estoura sua tira: O destino certo seria sem dúvida o lixo, mas, não!  Eis que colocamos um prego e “voilá”, chinelo novinho em folha!  Sabendo da ousada inteligência tupiniquim, pensemos: Por que motivo o Brasil não é uma das referências em criação e inovação de tecnologias? Seriam nossas Universidades? As escolas que suprimem o “sair da linha traçada”? Falta de assistencialismo governamental a pesquisas? A burrocracia que não permite inserção de capitais privados em pesquisas universitárias?  Sem dúvida esses quesitos exercem grande influência no desempenho do país, contudo, o fator determinante na baixa criação brasileira é cultural. Você pode perguntar-se, “Como a cultura modifica algo relacionado à produção de tecnologia?” é simples, basta analisar a preferência de nossas crianças. É muito mais fácil comprar um carrinho, brincar com ele até que estrague, e então, descartá-lo e efetuar a compra de outro ainda melhor. E você, pai, que assiste tudo, compra o novo brinquedo ou dispara: “Quem mandou quebrar, agora vai ficar sem.

As escolas não excitam os alunos a tornarem-se “inventores”. Existia algo muito interessante no meu tempo de ensino fundamental: Feiras de ciência. Além dos épicos vulcões e trabalhos feitos em cima da hora que acabavam por não dar certo, muita coisa bacana era produzida lá. Porém, passados os dois ou três dias de feira, tudo ia para um canto e virava sucata. Quantos criadores foram, talvez, suprimidos? O governo até tentou incentivar essa produção acadêmica através de grandes eventos, como por exemplo, o FERA e Consciência, mas os mecanismos expostos iam parar no mesmo destino dos do evento escolar: Lixo. Nos Estados Unidos, um menino inventou um software que, com auxilio de uma pequena câmera instalada na parte superior da porta da sua casa, tirava fotos da pessoa que estava lhe tocando a campainha e lhe enviava por mensagem no celular. Caso você não estivesse em casa, saberia quem esteve ali.O menino tinha doze anos na época. O invento foi registrado à quatro anos. Na época, o estudante tinha 12 anos. Local de exposição: Feira de ciências da sua escola. Quem o auxiliou na patente do invento e depois garantiu seus progressos em pesquisas nesse ramo: A escola.

O país ainda não dá subsídios para a criação e inovação. Será que Eduardo Saverin teria auxiliado Mark Zukemberg a criar o facebook se ambos estivessem no Brasil? A história não abre espaços pra probabilidades, mas, se considerarmos todo o ambiente onde ambos os jovens estavam inseridos quando realizaram o feito de criar a maior rede social da atualidade, dificilmente isso teria acontecido em terras verde-amarelas. Ou então, o caso de Miguel Nicolelis, médico brasileiro que realiza seus projetos de pesquisa nos Estados Unidos por um simples fato: O governo americano investe cerca de 430 milhões por ano no hospital em que Nicolelis trabalha. O projeto de Miguel é o do famoso “ponta pé inicial” da copa, criar um exoesqueleto movido pelas sinapses colhidas logo abaixo do tronco encefálico.

A culpa da falta de produção de capital intelectual aplicado não pertence tão somente aos poucos investimentos do governo, mas sim, a falta de incentivo da sociedade. É tão mais cômodo copiar uma ideia, ou elaborar algo tendo base do que se faz, apesar disso, devemos pensar no “por que tem de ser desse jeito?”. Entrei a pouco no universo acadêmico, porém, o que mais vejo é o optar pelo caminho mais fácil que exija pouca pesquisa e, de preferência, não precise ser começado do zero. Não precisamos de uma hora para outra tornar-nos cientistas malucos que reinventarão o mundo... Basta que, quando seu filho chegar à sala, enquanto você estiver assistindo seu “sagrado” jornal, com o carrinho novo quebrado, ao invés de repreendê-lo, você levante e diga: “Báh filho, queimou o motorzinho! E agora? Será que não tem como concertá-lo, ou, melhor ainda! Por que não tentamos colocar um motor maior pro carrinho andar mais rápido?”. O mundo precisa de pessoas que enxerguem o simples, hoje, pensando no complexo futuro. Deixemos nossos pequenos gênios crescerem acreditando que podem tornar-se o que quiserem, não joguemos tantos cientistas em potencial no lixo de nosso comodismo.
 
Alencar Junior Proença, 18 Anos,
Acadêmico do 1º Período de Medicina.   
Twitter: @AlencarJrP

 Você se considera inteligente? Com os grandes avanços nas áreas da neurologia e da psicologia, muito tem se discutido sobre a inteligência e seu intrínseco elo com a genética. Em pleno século XXI, tempo de inovações e descobertas grandiosas, vemos perturbadas definições de inteligência sendo pregadas aos sete ventos; a grande massa crê que a inteligência evoluiu e agora menospreza demonstrações magnas do saber, como por exemplo, o plantar de um fruto na época adequada; fato inteligível que acarretará maior produção e eficácia no cultivo.

Inteligência, do latim intellectus, significa etimologicamente, compreender por dentro. Definir inteligência é muito complexo, mesmo entendedores do assunto acabam caindo, muitas vezes, em definições circulares ou exemplificações. A inteligência não se trata de entender das novas tecnologias, jovem padawã. Você não é mais inteligente que seus pais por saber dar dois ou três cliques complexos em um computador; se você pode fazer isso é porque, usando de algum ramo da inteligência, seus pais ralaram para ganhar dinheirinhos! Dinheirinhos que resultaram em seu computador. Analisando a resposta externa, da inteligência de seus pais, pode-se considerar que eles são muito mais inteligentes que você, pequeno gafanhoto, tendo em vista que, seu trabalho inteligente rende frutos que saciam seus instintos paternos: manter a prole.

Não se pode dizer que um aluno é mais inteligente que outro através de notas em provas escolares. Detestava a velha história fundamental do, “Nossa, ele tirou dez! É o mais inteligente da turma.” Se uma prova tem dez questões, cada uma contendo quatro alternativas, há uma probabilidade, mesmo que pequena, do camarada acertar todas as questões marcando-as aleatoriamente... Ele tirou dez, certo? Isso faz dele inteligente? Ou digamos que ele tenha colado na prova... Dessa vez, então, ele cometeu uma atitude inteligente? Sim e não para ambos os casos. O nosso companheiro, em ambos os casos, não sabia o conteúdo cobrado em teste, correto? A saída que ele encontrou foi chutar e colar, respectivamente. Ele obteve êxito no que desejava fazer. Do ponto de vista, receber o estímulo de questionamento e responder de maneira correta, mesmo que sem intenção, ou usando de artifício contra as regras, ele deu uma resposta inteligente.
 
A inteligência não pode ser analisada através de um diagrama único. O que faz uma pessoa ser mais “inteligente” que outra, é sua perceptibilidade a um dado estímulo, a resposta que ela dará para solucionar um problema em questão. Um agrônomo é muito melhor que um advogado no assunto “aumentar aproveitamento do solo”, mas o advogado é melhor que o agrônomo se o papo for “defender um inocente.”. Todos, os que possuem massa encefálica, são inteligentes se analisarmos um dos ângulos do complexo icosaedro cerebral. Não que o cérebro seja subdividido em vinte áreas, não me entenda mal. Conhecimento ocupa espaço. A facilidade de aprendizado e de neurotransmissões de estímulos nervosos tem relação com a genética. Porém, ser sábio, ter facilidade, em um dado quesito, não o faz mais inteligente que outra pessoa. Se você se considera tão inteligente, por que é que não trouxe de volta os dinossauros? O mundo pagaria milhões por eles...

Falta gentileza

    “Gentileza gera gentileza.”. Com esses dizeres termina o vídeo que a prefeitura de Vila Velha – ES gravou para divulgar um de seus projetos de educação no trânsito.

Trata-se de um guarda de trânsito em especial, que, faz algo realmente incrível: trata a todos que passam por ele, seja de carro, de bicicleta ou a pé, de maneira surpreendentemente gentil. Ele cumprimenta a senhora coxa, o senhor de vestes simples, o moço do caminhão velho e, acreditem se quiser, o homem do chapéu de palha. A frase não é de hoje. Ela já era afirmada pelo “Profeta Gentileza”, uma espécie de pregador, que se tornou conhecido na década de oitenta por fazer inscrições em um viaduto no Rio de Janeiro, por onde andava, de túnica branca e barba longa. Ao que me parece, deixamos essa gentileza na década de oitenta.

   Não é preciso ir para grandes centros observar o comportamento das multidões que correm daqui, atravessam sinais lá, buzinam o carro que atrapalhou o sinal que daria tempo, xingam o pedestre que passa mancando na faixa, aceleram com a embreagem acionada para o motorista que segue as normas da via e anda na velocidade exigida... Você já percebeu como as pessoas andam sozinhas? Com suas cabeças baixas, sem olhar para os lados, sem cumprimentar ninguém? Como outros andam mesquinhos com seus narizes empinados, e não dão ao luxo de olhar para baixo?
  Vou tentar explicar algumas coisas:

    Somos constituídos basicamente por quatro elementos fundamentais: Carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio. Nosso metabolismo depende, basicamente, de nossa alimentação. Possuímos um esqueleto ósseo, bem ou mal formado, que é revestido por músculos. Nossa cavidade principal aloja todas as nossas vísceras, e, como esquecer do estojo craniano e do canal medular, que, obviamente, aloja nosso sistema nervoso central. Quando morremos, nosso órgão principal, o cérebro, para de funcionar. Então, já mortos, se tivermos uma família, passaremos por um rito (enterro, cremação...). Desfalecidos, nosso majestoso corpo retornará a terra. Já sua alma, irá para o lugar que você crer e merecer. Todos, com exceção de uma minoria que está apostando na evolução da ciência e está guardando suas cabeças em nitrogênio, teremos o mesmo fim: Alimento de bactérias e fungos.

    Qual é o preço de um bom dia? Qual o capital perdido em balançar a cabeça em sinal de cumprimento ao ser que cruza com você na rua? Quanto desvaloriza a pulseira de ouro em seu braço quando você o levanta e acena num simples “tchauzinho”? Não importa o que você foi, o que era. Acabará como todos. Todos nós teremos o mesmo fim, triste, lamentável e penoso. Não são singulares as histórias de seres que aprenderam o significado de termos como humildade e gentileza, somente quando não conseguiam sequer realizar suas necessidades biológicas sem o auxílio de terceiros. Então lhes peço: O que nos falta para sermos mais gentis?

Alencar Junior Proença, 18 Anos,
Acadêmico do 1º Período de Medicina.  
Twitter: @AlencarJrP

 

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