Qua, 01 de Fevereiro de 2012 13:05
E pensamos que os serviços são de primeiro mundo. Quando vivi em Bariloche, na Argentina, pude constatar que naquele fim de mundo - é longe de tudo mesmo- os serviços são mais baratos e melhores. Algo que a ANT deveria copiar dos argentinos, por exemplo, é a informação que antecede a ligação, informar qual é a operadora do número que o usuário está chamando. Outro serviço que não existe por aqui é a internet pré-paga de banda larga. Se em Bariloche tem por que não em São Paulo?
E observem que o Brasil é o campeão em um quesito da telefonia celular, é o mais caro do mundo. Isso de acordo com a União Internacional de Telecomunicações (UIT), órgão da ONU (Organização das Nações Unidas). Nosso país bate a Suíça e Japão.
O estudo analisou o custo 165 países. E se comparado ao grupo dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), ou seja as principais nações emergentes do planeta, a situação fica vergonhosa. Enquanto no Brasil o custo analisado está em US$ 57,10, na China, custa somente US$ 6,00. Isso mesmo, o leitor não leu errado não, é quase um décimo do que pagamos. Na Índia, o custo fica em US$ 3,40. Só a Rússia é que tem um precinho mais caro, de US$ 9,20, um sexto daqui.
É verdade que um dos fatores que determinam os custos é a alta carga tributária. E essa alta de impostos é generalizada. E, novamente, comprovado por outra pesquisa que mostra o Brasil em último lugar no retorno que os cidadãos têm para os impostos que pagamos. E bem atrás de outros latino-americanos: Uruguai e Argentina...
Para se ter uma ideia, países com carga tributária em torno de 25% do PIB e altíssimo IDH, como Austrália, Estados Unidos e Coreia do Sul são os que mais retornam aos seus cidadãos. Já por aqui, 35% da riqueza produzida vai para os governos.
Os pesquisadores analisaram a carga tributária das 30 nações que mais cobram impostos com o IDH, Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, que leva em conta expectativa de vida, educação e renda. E assim calcularam o retorno de bem-estar à sociedade. Podemos citar como funções do Estado, a saúde, a educação e a segurança.
Não podemos deixar de citar que o Brasil cuida de seus doentes há muito tempo. Nações como os Estados Unidos somente agora tem isso como meta. É obvio que o país precisa de uma melhor gestão, tem que gastar melhor, nomear gente mais capacitada, reduzir os impostos, combater a corrupção e evitar o desperdício. Esse certamente é o caminho.
*Mario Eugenio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano. (mariosaturno@uol.com.br)
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