A população assustada, evita fazer comentários e quando os faz dificilmente se identifica
Na última quinta-feira, dia 10 de janeiro, aconteceu um homicídio em Santa Izabel do Oeste. O empresário Pedro Antônio Scalco (popular Toni), 45 anos, foi morto a tiros em sua residência na avenida dos Pinheiros no centro da cidade.
O fato ocorreu por volta das 21h, enquanto Toni jantava com sua esposa Marlize foi surpreendido por dois homens armados e encapuzados que invadiram a residência e anunciaram o assalto. Toni que estava de costas para a porta, levantou e isso pode ter amedrontado os meliantes que efetuaram disparos à queima-roupa e um projétil atingiu o peito na altura do coração entrando em óbito. Os dois marginais fugiram sem levar algum pertence da casa ou da vítima. Populares tentaram socorrer conduzindo Toni até a Casa de Saúde, onde chegou sem vida.
Imediatamente centenas de pessoas se aglomeraram ao redor da residência de Toni e Marlize e em frente a Casa de Saúde. Comoção e revolta em todos.
Na tarde de sexta-feira, 11, após informações anônimas, a Polícia em diligência realizou a prisão de dois suspeitos de praticarem o homicídio e que foram reconhecidos pelas testemunhas que agora estão sendo ouvidas pela Polícia Civil para a confirmação em depoimento. Foram presos Fabiano Koserski, 24 anos, vulgo “Koserskinho” e Lindomar Farias Jaboeski, 20 anos, vulgo “Camelo”. Os dois já possuem passagem pela Polícia.
Depois de presos e ouvidos, os acusados foram transferidos para a Cadeia Pública de Capanema onde aguardam o resultado das investigações. Em entrevista ao JNT, um dos acusados, o “Koserskinho”, que disse ser inocente e ter testemunhas que provam de que na hora do acontecido, se encontrava na companhia de amigos na cidade de Santa Izabel do Oeste, alegando que a sua prisão foi por engano e pede que se o capuz encontrado abandonado passe por exame para que se comprove se é ele, ou não.
Segundo relato da Polícia, os acusados foram detidos após denúncia de que foram vistos retirando os capuzes em local próximo de onde foi registrado o homicídio. Todas as testemunhas estão sendo ouvidas para que no decorrer do inquérito se descubra a verdade.
“Koserskinho” já tem passagem pela Polícia por ter cometido latrocínio, roubo seguido de morte, de que foi vítima o gerente do Banco do Brasil da agência de Santa Izabel do Oeste, na época ainda de menor. Ele cumpriu pena até completar os 18 anos e agora encontra-se em liberdade. “Camelo” tem passagem por roubo.
Para a Polícia não foi descartada a hipótese de roubo e até o final das investigações espera-se ter uma resposta concreta para o caso. O Delegado da Polícia Civil da Delegacia de Realeza, e que responde pela Comarca de Realeza, Dr Sandro Spadotto Barros, está retornando de férias e assumiu a investigação o caso.
A família encontra-se consternada e não quis dar nenhuma declaração sobre o assunto.
A segurança
A falta da policiais na região, faz com que a bandidagem tenha uma certa facilidade em agir. Para o delegado da Comarca de Realeza, Dr. Sandro, seria necessário mais policiamento e também a cooperação do povo para que o trabalho possa ser feito com mais eficiência. Uma das dicas do Delegado Sandro é para que as pessoas nunca guardem dinheiro em casa, sempre deixem guardado no banco para evitar os ladrões. Outra solução, seria a criação de um Conselho de Segurança na região. Faz dois anos que a Comarca vem na tentativa de formar um Conselho de Segurança, mas não há interesse da população. A partir do momento que acontece algo como o assassinato do Toni Scalco, a população se revolta e diz que é culpa da policia que no entanto, precisa da ajuda da população que não tem instrução e se torna ignorante sobre o assunto.
Segundo o delegado Sandro, “ninguém procura a policia para obter informações e ajudar a policia. Até hoje, depois de dois anos de Comarca, ninguém o procurou para esclarecimentos. E quando a policia é procurada, são interesses próprios, e não se preocupam com seus filhos. Todo mundo deve se unir e trabalhar juntos”.
O que vem a ser o conselho de segurança
Em 2003 o governador Requião criou um decreto no qual consiste que todos os municípios tem direito a um Conselho de Segurança que ficará subordinado a uma assessoria de comunicação social em Curitiba. O Conselho é composto por 15 membros, e as reuniões são mensais, por isso é necessária a união do povo em prol desta proposta. “É preciso que se discuta o assunto antes que ele aconteça porque realmente a coisa está séria. Tem que agir antes que os homicídios aconteçam, depois não adianta querer mudar o mundo em apenas um dia”, ressalta Dr. Sandro.
Povo está apavorado
Nos últimos meses, são vários os registros de violência contra pessoas, famílias e empresas. Seqüestros, estupros, roubos, assaltos e arrombamentos. Pouca coisa foi apurada. Os marginais estão levando uma grande vantagem. A Comarca de realeza conta com cerca de 45 mil habitantes, porém, menos de 10 policiais militares estão designados para atender os três municípios que contam com grande extensão territorial. Falta compromisso governamental para com a região e falta organização das entidades e instituições.
Enquanto isso, o medo impera. Tentamos fazer uma enquête. Todos falam desde que não se coloque nada no papel. Gravar, de jeito algum! As pessoas estão com medo de represálias. Todos os atos violentos são seguidos de ameaças de que se contar para aleguem, se avisar a Polícia ou se sair na imprensa, eles voltam e matam. O cidadão de bem, que trabalha, que produz, que gera empregos, tem que ficar trancado em casa ou atuar como guardião de sua empresa e de seus negócios, pois os marginais estão livres para andar a qualquer hora. Não precisam prestar contas se trabalham, de onde vem o dinheiro e se estão de folga, ninguém nada a ver com isso.
Ousadia e desafio para a sociedade
Nem bem a população tinha assimilado o duro golpe da tragédia que vitimou Toni Scalco, na manhã de sábado, a empresa Mundo da Moda, a poucos metros de onde ocorreu o homicídio, foi assaltada. Ninguém viu. Simplesmente depenaram a Loja.
Este fato é levado pela sociedade izabelense como um desafio da bandidagem e uma prova de que estamos abandonados pelo quesito segurança.
As lideranças estão se mobilizando e é unanimidade de que do jeito em que está não pode continuar. O município e a região precisam de reforço policial e um trabalho ostensivo.
Existe no meio popular, uma extensa lista de pessoas que aparentemente estão desocupadas, mas que devem agir ou realizar alguma atividade, pois se sustentam e até participam de grandes festas, sempre com dinheiro no bolso, coisa que é muito difícil para a maioria das famílias trabalhadoras.