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Com a existência de um corpo, com a identificação, a policia deu continuidade às investigações sob o comando Delegado de Polícia Civil, Dr. Sandro Spadotto de Barros, com a colaboração do Sargento PM, André Roberto Peres. Na segunda-feira à tarde, o Sargento Peres concedeu entrevista ao repórter do Jornal Novo Tempo, Vilmar Bitencourtt falando sobre o andamento das investigações e das prisões realizadas em Santa Izabel do Oeste, elucidando em parte, os vários crimes ocorridos nos últimos tempos no município JNT: Sargento, mais um crime considerado hediondo em nossa cidade. Como a polícia encara mais esse desafio? Sargento Peres: A policia precisa encarar com normalidade, muito embora seja um crime que comova a comunidade e até mesmo comova nossos policiais, mas a polícia existe exatamente para, se não conseguir evitar que aconteça esse tipo de crime, que pelo menos depois, os culpados sejam levados até as malhas da justiça. JNT: Depois do corpo encontrado, como estão as investigações? Sargento Peres: A chefia das investigações está a cargo do Dr. Sandro Spadotto de Barros que é nosso Delegado Chefe da Comarca, eu estou como gestor da Unidade Policial Civil de Santa Izabel do Oeste e fico auxiliando essas investigações. O Dr. Sandro delimitou essa linha de investigações com a suspeita recaindo sobre Valdoir Antonio Sobczak e claro, obviamente sem descartar outras linhas de investigações que se tinha até o presente momento. JNT: Todas as evidências recaem sobre o marido. Na opinião da polícia, isso pode ser correto? Sargento Peres: Veja bem. Existem várias contradições de testemunhas, várias contradições de declarações, onde as pessoas “esquecem” certos detalhes em que a polícia tem conhecimento. Nós temos sempre que se basear em detalhes. Muitas vezes as pessoas não recordam certos detalhes e ai recai essas contradições. Temos vários depoimentos de várias testemunhas e muitos deles com muitas contradições, inclusive contradições que depõe contra o Valdoir. È nesse aspecto que a polícia vem trabalhando pra que a gente possa dar essa resposta à nossa comunidade. JNT: O Valdoir foi preso para não atrapalhar a investigação. Quanto tempo essa prisão tem validade? Sargento Peres: É uma prisão temporária expedida pelo Juiz da Comarca, tem a duração de 30 dias, podendo ser revogada a qualquer tempo pelo Juiz ou até mesmo ratificada por um igual período. Nós temos 10 dias para encerrar o inquérito e relatar, juntar as provas que nós conseguirmos e aí, sim passa a parte do Ministério Público em analisar o caderno probatório que é o inquérito policial, e a partir daí fazer a denúncia e passar a ser um processo para que o culpado seja julgado e devidamente, se for o caso, condenado e enclausurado em uma penitenciária. JNT: A polícia considera esse crime como hediondo, e na visão da polícia o que leva um ser humano a fazer tal barbárie? Sargento Peres: Ele é crime hediondo por que tem várias leis que tratam do fato, inclusive a nova lei de proteção da mulher, a Lei 11.340, chamada “Lei Maria da Penha”, ela trata um fato dessa natureza como crime hediondo. Eu entendo que todos os crimes de homicídios que não tem uma justificativa de defesa, sejam hediondos, crimes que são cometidos por pura e simples conveniência, eu considero hediondo. Claro que nós temos que analisar caso a caso e que vale ressaltar “ninguém tem o direito de tirar a vida de ninguém” a polícia não é preparada para tirar a vida de ninguém, e a população também não está preparada para isso, eles acontecem, muitos por legítima defesa, mas aqueles que não o são, devem ser encarados como um crime hediondo. Temos que preservar a vida e não tirar a vida de ninguém. Essa é a linha da Polícia ´Militar e da Polícia Civil. Infelizmente, existem estes tipos de fatos que acontecem e acabam comovendo a nossa população. JNT: O relatório da causa morte fica pronto em quanto tempo? Sargento Peres: Eles têm um prazo legal, o Instituto Médico Legal tem um prazo para expedir o laudo de exame cadavérico, mas nós já podemos adiantar que se trata de uma morte por asfixia, até mesmo porque foi encontrado no pescoço da vítima uma corda de um varal de roupas. Tudo leva a crer que tenha sido morte por asfixia, mas obviamente quem vai definir tudo isso é o laudo do exame cadavérico, junto com um laudo de local de crime do Instituto de Criminalística de Francisco Beltrão. JNT: Sargento, como estão às investigações do assassinato do Toni Scalco? Sargento Peres: Esta também é uma situação bastante polêmica que também comoveu a nossa cidade tendo em vista do que a pessoa que o Toni era e da sua integração na comunidade e também as circunstâncias em que o fato se deu. Na verdade, desde aquela noite, tanto a Policia Militar quanto a Policia Civil vem tendo um empenho grande nas investigações. Na época, eu estava de férias e assumi o caso. Conseguimos chegar até o Camelo e o Kozerskinho, porque estes dois elementos foram vistos se dirigindo por uma rua sem saída que daria a um matagal. Lá foram encontrados dois capuzes que mais tarde a esposa do Toni veio a reconhecer. Só falta agora a confissão dos elementos, mas a lei assim define: que eles têm direito a ampla defesa. Nossa população tem que entender que muitas vezes a polícia trabalha, acha, prende, mas não é ela que sentencia, quem sentencia é a Justiça através de uma denúncia do Ministério Público. A polícia trabalha em cima de provas para que o Ministério Público possa promover a ação para que haja uma condenação. Na maioria das vezes, não conseguimos levantar as provas necessárias porque a população se cala, essa é a grande realidade. Nós continuamos trabalhando no caso Scalco e pedimos à população que colabore se tiver alguma coisa, uma informação que fosse mais efetiva. Estamos aguardando ainda um exame de confronto de DNA que foi colhido no material (capuzes) e dos elementos para confrontar com os fios de cabelos que foi encontrado nas tocas. A população deve saber avaliar que o trabalho da polícia nem sempre é fácil em virtude da falta de informação. Até o momento, eles são considerados os principais suspeitos. JNT: Neste fim de semana foi preso o elemento Ademir Cezar Slobozinski, como foi essa prisão? Sargento Peres: Na verdade, esse elemento tinha 10 mandados em aberto pela Justiça do Estado, mandados em abertos pela Vara de Execução Penal da Comarca de Medianeira, Capanema, Santo Antonio do Sudoeste, Capitão Leônidas das Marques, Quedas do Iguaçu e Realeza, por todos esses lugares esse cidadão responde a processos e foram expedidos mandados de prisão contra ele, eu não cheguei a ver todos, mas tem um que se trata de condenação, É um elemento condenado que é dado à prática de furto qualificado, inclusive a mão armada. Este elemento foi preso na madrugada de sábado para domingo pela equipe de serviço da PM e agora está à disposição da Justiça. JNT: Como está caso de assalto seguido de seqüestro da funcionária do Jornal Novo Tempo? Sargento Peres: É outro caso que requer mais informação, o mais importante que ela reconheceu por fotografia um dos criminosos, que é o Ademir Cezar Slobozinski, com a prisão dele vamos retomar o caso, em breve ela será chamada para mais um reconhecimento desse elemento e só assim podemos concluir aquele inquérito com mais clareza e mais tranqüilidade. Mas veja bem, também é um fato que também precisa de mais informação, a Juliana nos trouxe muitas informações importantes, inclusive foi bastante detalhista, mas como foi uma coisa assim bastante rápida e isolada e nós acreditamos que não tinha sido direcionada pra ela e sim para a família do Roberto, ele estava no lugar errado na hora errada. A partir da prisão do Ademir, temos a certeza que vamos resolver mais este caso. JNT: A polícia dentro dos seus limites faz de tudo para poder dar segurança à população, algo nesse nível, frustra a policia de alguma maneira? Sargento Peres: É importante que a população saiba quais são as missões das duas polícias. Constitucionalmente, à Polícia Militar cabe o policiamento extensivo, preventivo, aquele que é feito através da viatura, com farda e armamentos próprios para que a população possa recorrer na hora que precisa. Nossa missão é prevenir e atender as ocorrências quando nós não conseguimos prevenir, nós damos o primeiro embate. A Polícia Civil também tem a missão de apurar os fatos depois que as ocorrências aconteçam. A população tem que entender que é muito complexado, uma investigação tem muitos fatos que requer calma, paciência e muito tempo para poder apurar, e às vezes esse tempo é curto. Mas estamos sempre fazendo dentro de nossas limitações, o nosso melhor. Quando algo assim acontece, e não conseguimos elucidar, frustra sim. Mas isso também, faz parte, e esperamos sempre a colaboração da comunidade. Vilmar Bitencourtt e Tania Santor

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