Na sexta-feira, 04, em comemoração aos 10 anos do Jornal Novo Tempo, Santa Izabel do Oeste e região receberam o economista, professor da UFPR, Eugênio Stefanelo para uma palestra sobre Política Econômica, perspectivas para 2010.

Durante mais de uma hora e meia, Stefanelo destacou os pontos principais da atual situação econômica do Brasil e do mundo. Em todos os momentos, ficou evidenciado que a economia mundial teve neste ano de 2009, um crescimento negativo, mas que para o ano de 2010, o crescimento será positivo.

Além da palestra, o professor Eugênio Stefanelo conversou com empresários, lideranças políticas e acompanhado do consultor do SEBRAE, Sabino Oltramari, visitou o Jornal Novo Tempo, no sábado pela manhã, onde participou de um café e avaliou os projetos do Jornal Novo Tempo par ao ano de 2010.

Eugênio Stefanelo destacou que o foco para o desenvolvimento local premiando o empreendedorismo é um verdadeiro presente para o município e a região.

Ao final do encontro, a jornalista Tânia Santor entrevistou o professor Eugênio Stefanelo.

JNT- Por que a agricultura regional encontrou tantos problemas financeiros no ano de 2009?

Eugênio -

No caso especifico do agronegócio a situação é um pouquinho pior, porque o agronegócio teve um desempenho negativo de 2,5% no primeiro semestre de 2009 e vai ter um desempenho negativo, no valor bruto da produção que é a receita dos produtores. Nesse ano de 2009, será menor a receita do que no ano passado porque os preços de forma em geral caíram e porque nós tivemos uma queda na safra de grãos de nove milhões de toneladas aqui no Paraná, basicamente soja, milho e feijão, então por todos esses fatores é que as prefeituras esse ano estão arrecadando menos e os produtores estão sentindo uma situação de dificuldade.

JNT - E para próxima safra como será o comportamento do mercado agrícola?

Eugênio -

JNT- Os preços para próxima safra irão reagir?

Eugênio -

JNT – A pecuária também enfrentou problemas financeiros ao longo deste ano, existe perspectivas de melhora ou a crise continua?

Eugênio -

Na pecuária de leite o Brasil esse ano está produzindo uns 28 bilhões de litros, o Paraná cerca de 10% disso, nós tivemos esse ano um problema muito sério com a importação de derivados de leite, porque o câmbio está baixo e isso favorece a importação que aumentou cerca de 30%, junto com um pequeno aumento na produção, reduziu-se o preço do leite. Os mesmos preços que estavam muito bons até setembro, outubro novembro dezembro e janeiro os preços do leite vão cair, já caíram e vão cair mais ainda, isso é natural pelo aumento da produção, até porque essa chuva toda que está ocorrendo favoreceu esta fase, então aumentou a produção de leite e os preços certamente irão cair, os produtores não devem aumentar muito a produção, eu digo que eles devem aumentar em torno de 2% a 3% a produção, caso contrário, terão problema.

E no caso da soja, do leite e do próprio milho que a gente pode exportar o problema é o câmbio baixo e ai o preço fica muito ruim para o produtor, no caso da pecuária a mesma coisa o câmbio dificulta a exportação e diminui os preços recebidos pelos produtores, mas eu diria que em suinocultura e avicultura com certeza os produtores vão ter preço pouquinho acima do custo e no leite depende da produção, se eles aumentarem vão ter preços baixos, ai só vão ter preços melhores lá por junho quando a produção cai por causa do inverno.

JNT – O que o senhor diria aos produtores da região em relação ao comércio futuro da safra?

Eugênio -

O feijão que eles colherem em fevereiro e março do ano que vem, o governo deve estabelecer um plano de escoamento do produto do Paraná para outros estados, ou exterior, isso o governo deve fazer a partir do ano que vem, mas até lá o preço do feijão estará abaixo do mínimo que é de R$ 80,00 a saca. Essa vai ser a estratégia para os produtores do sudoeste.

No caso do trigo que o pessoal colheu, das 2,6 milhões de toneladas que o pessoal colheu um milhão de toneladas que vai pra ração, porque não tem qualidade. As outras 1,6 milhão de toneladas, umas 850 mil, nós já resolvemos o problema subsidiando para exportação, o trigo restante que está aí no mercado é o trigo de melhor qualidade, os agricultores vão ter que aproveitar os planos de escoamento de trigo para vender o produto conseguindo algum preço.

JNT – E as promessas de garantia de preço na venda dos produtos que o governo promete, mas nunca é cumprindo, qual sua opinião sobre o assunto?

O que eu diria aos produtores de soja para irem vendendo agora a soja que ainda irão colher, porque lá na frente o preço da soja vai ser mais baixo, isso se o clima for normal e não der uma quebra de safra, se der uma quebra de safra a situação muda. No milho os produtores vão ter que vender muito lentamente, com calma e devagar. Os preços do milho só vão subir se o Brasil quebrar a segunda safra do milho, ou exportar bastante caso contrário, os preços vão continuar baixos, por isso eles vão vender aos poucos esse milho que está aí sobrando e o milho que vão colher lá por fevereiro e março do ano que vem devem vender bem parcelado, bem devagar.
No caso da pecuária a situação muda um pouquinho e quem sabe para melhor, porque começou a crescer novamente a exportação de frangos e dos suínos, nós vamos ter nesse ano um valor exportado menor do que no ano passado, porque reduziram os preços internacionais dos suínos e também do frango e o volume exportado do frango será mais ou menos igual ao do ano passado com uma pequena redução e volume exportado de carne suína será um pouquinho menor do o ano passado, mas em frango e suíno os produtores vão poder aumentar a produção. Eu acredito que algo em torno de 15%, mais do que isso os preços caem e ai eles ficam em uma situação difícil novamente.
Os preços da soja vão cair no ano que vem. Quando entrar a safra brasileira junto com a argentina no mercado, os preços ficarão menores que os atuais, razão pela qual recomendo os produtores irem fechando preços agora, porque lá por março e abril, os preços serão menores, no caso do milho não há muita chance de aumento de preço no ano que vem porque nós temos milho sobrando no Brasil. Temos 5,5 milhões de toneladas no estoque do governo e na próxima safra do milho mesmo com uma redução da área plantada vai ter a mesma produção do ano passado, porque a safra do ano passado foi prejudicada pela seca, os produtores de milho não terão preços relativamente altos, eles irão girar em torno do preço mínimo, no caso do feijão também teremos preço baixo por causa do estoque de feijão, está sobrando feijão e mesmo com a área menor, vamos ter uma produção de feijão maior que a do ano passado por caso do clima, por essa razão os produtores de feijão estão vendendo feijão abaixo do preço mínimo e vão continuar assim.
Para próxima safra, essa que os produtores plantaram agora, soja, milho, feijão, mas basicamente na região sudoeste, soja e milho que são os dois produtos que predominam a situação, muda radicalmente porque nos tivemos uma ampliação da área plantada de soja no Paraná de cerca de 9%, e uma redução da área plantada de milho na primeira safra no Paraná de 27%, e também tivemos uma redução na área plantada de feijão em relação a primeira safra, de cerca de 13%. Isso é muito bom porque os produtores ajustaram a sua produção em relação a real situação do mercado, nós temos milho e feijão sobrando no mercado, os produtores plantaram menos, e nós temos soja que é o produto com melhor perspectiva de comércio, com os produtores plantando mais, por enquanto as condições climáticas para a produção de grãos são muito boas e devem continuar assim com safra cheia desse produto.
Bom vamos começar primeiro pela economia mundial e também a agropecuária que é o forte da região sudoeste do estado. A economia mundial este ano diminui de 1% a 1,5% em relação à economia mundial no ano passado. A Europa, Japão, Rússia todos esses países tem crescimento econômico negativo, e com isso obviamente, a economia mundial tem um crescimento negativo. Os países que exportam como o Brasil, tem dificuldade em exportar como está acontecendo, a economia brasileira também esse ano fica numa situação difícil, a mesma vinha crescendo entre 5% a 6% nos anos em 2007 e 2008. Em 2009 a economia brasileira vai ficar entre 0% e 0,5% de crescimento em relação ao ano passado, portanto diminui enormemente o seu desempenho e fica praticamente igual ao do ano passado.

Isso é verdade. Qual o problema mais sério esse ano? O problema é que o café está com um preço abaixo do mínimo, feijão está com o preço abaixo do mínimo, milho com preço abaixo do mínimo e trigo com preço abaixo do mínimo. Isso obrigou o governo a garantir preço para os produtores. Os deputados colocaram uma verba adicional de cerca de um bilhão de reais, e esse dinheiro todo já foi, não tem mais jeito, o governo comprou mais de 5 milhões de toneladas de milho, 200 mil toneladas de feijão, só aqui no Paraná quase 100 mil toneladas, e isso nem mexeu no mercado, houve escoamento para outros mercados, mas mesmo assim o preço não reagiu porque nós temos um problema que é o câmbio fora do lugar e isso prejudica a exportação, e isso obrigaria o governo praticamente a estatizar a comercialização o que não é função do governo é por isso que os produtores de certa forma este ano estão com preço abaixo do mínimo.


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