Qui, 10 de Dezembro de 2009 08:02
Durante mais de uma hora e meia, Stefanelo destacou os pontos principais da atual situação econômica do Brasil e do mundo. Em todos os momentos, ficou evidenciado que a economia mundial teve neste ano de 2009, um crescimento negativo, mas que para o ano de 2010, o crescimento será positivo. Além da palestra, o professor Eugênio Stefanelo conversou com empresários, lideranças políticas e acompanhado do consultor do SEBRAE, Sabino Oltramari, visitou o Jornal Novo Tempo, no sábado pela manhã, onde participou de um café e avaliou os projetos do Jornal Novo Tempo par ao ano de 2010. Eugênio Stefanelo destacou que o foco para o desenvolvimento local premiando o empreendedorismo é um verdadeiro presente para o município e a região. Ao final do encontro, a jornalista Tânia Santor entrevistou o professor Eugênio Stefanelo. JNT- Por que a agricultura regional encontrou tantos problemas financeiros no ano de 2009? Eugênio - No caso especifico do agronegócio a situação é um pouquinho pior, porque o agronegócio teve um desempenho negativo de 2,5% no primeiro semestre de 2009 e vai ter um desempenho negativo, no valor bruto da produção que é a receita dos produtores. Nesse ano de 2009, será menor a receita do que no ano passado porque os preços de forma em geral caíram e porque nós tivemos uma queda na safra de grãos de nove milhões de toneladas aqui no Paraná, basicamente soja, milho e feijão, então por todos esses fatores é que as prefeituras esse ano estão arrecadando menos e os produtores estão sentindo uma situação de dificuldade. JNT - E para próxima safra como será o comportamento do mercado agrícola? Eugênio - JNT- Os preços para próxima safra irão reagir? Eugênio - JNT – A pecuária também enfrentou problemas financeiros ao longo deste ano, existe perspectivas de melhora ou a crise continua? Eugênio - Na pecuária de leite o Brasil esse ano está produzindo uns 28 bilhões de litros, o Paraná cerca de 10% disso, nós tivemos esse ano um problema muito sério com a importação de derivados de leite, porque o câmbio está baixo e isso favorece a importação que aumentou cerca de 30%, junto com um pequeno aumento na produção, reduziu-se o preço do leite. Os mesmos preços que estavam muito bons até setembro, outubro novembro dezembro e janeiro os preços do leite vão cair, já caíram e vão cair mais ainda, isso é natural pelo aumento da produção, até porque essa chuva toda que está ocorrendo favoreceu esta fase, então aumentou a produção de leite e os preços certamente irão cair, os produtores não devem aumentar muito a produção, eu digo que eles devem aumentar em torno de 2% a 3% a produção, caso contrário, terão problema. E no caso da soja, do leite e do próprio milho que a gente pode exportar o problema é o câmbio baixo e ai o preço fica muito ruim para o produtor, no caso da pecuária a mesma coisa o câmbio dificulta a exportação e diminui os preços recebidos pelos produtores, mas eu diria que em suinocultura e avicultura com certeza os produtores vão ter preço pouquinho acima do custo e no leite depende da produção, se eles aumentarem vão ter preços baixos, ai só vão ter preços melhores lá por junho quando a produção cai por causa do inverno. JNT – O que o senhor diria aos produtores da região em relação ao comércio futuro da safra? Eugênio - O feijão que eles colherem em fevereiro e março do ano que vem, o governo deve estabelecer um plano de escoamento do produto do Paraná para outros estados, ou exterior, isso o governo deve fazer a partir do ano que vem, mas até lá o preço do feijão estará abaixo do mínimo que é de R$ 80,00 a saca. Essa vai ser a estratégia para os produtores do sudoeste. No caso do trigo que o pessoal colheu, das 2,6 milhões de toneladas que o pessoal colheu um milhão de toneladas que vai pra ração, porque não tem qualidade. As outras 1,6 milhão de toneladas, umas 850 mil, nós já resolvemos o problema subsidiando para exportação, o trigo restante que está aí no mercado é o trigo de melhor qualidade, os agricultores vão ter que aproveitar os planos de escoamento de trigo para vender o produto conseguindo algum preço. JNT – E as promessas de garantia de preço na venda dos produtos que o governo promete, mas nunca é cumprindo, qual sua opinião sobre o assunto?
Na sexta-feira, 04, em comemoração aos 10 anos do Jornal Novo Tempo, Santa Izabel do Oeste e região receberam o economista, professor da UFPR, Eugênio Stefanelo para uma palestra sobre Política Econômica, perspectivas para 2010.
Isso é verdade. Qual o problema mais sério esse ano? O problema é que o café está com um preço abaixo do mínimo, feijão está com o preço abaixo do mínimo, milho com preço abaixo do mínimo e trigo com preço abaixo do mínimo. Isso obrigou o governo a garantir preço para os produtores. Os deputados colocaram uma verba adicional de cerca de um bilhão de reais, e esse dinheiro todo já foi, não tem mais jeito, o governo comprou mais de 5 milhões de toneladas de milho, 200 mil toneladas de feijão, só aqui no Paraná quase 100 mil toneladas, e isso nem mexeu no mercado, houve escoamento para outros mercados, mas mesmo assim o preço não reagiu porque nós temos um problema que é o câmbio fora do lugar e isso prejudica a exportação, e isso obrigaria o governo praticamente a estatizar a comercialização o que não é função do governo é por isso que os produtores de certa forma este ano estão com preço abaixo do mínimo.
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