Seg, 06 de Fevereiro de 2012 15:39
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Presidente do PR federal, o senador Alfredo Nascimento (AM) reabriu o debate interno sobre as relações do partido com o governo de Dilma Rousseff. Anuncia que a legenda adotará uma posição pública e clara.
O blog procurou Nascimento para saber aonde o PR quer chegar. Por meio da assessoria, o senador mandou dizer: “Ou somos governo ou somos oposição. No meio do caminho não dá mais.”
Em agosto de 2011, um mês depois de ser ejetado da poltrona de ministro dos Transportes, Nascimento escalara a tribuna do Senado para anunciar que seu partido abandonara o condomínio governista.
Dissera o seguinte: “No momento em que as condições de respeito e apoio não estão mais presentes na relação com o governo, é porque chegou a hora da independência.” A valentia ficou no gogó.
Na prática, a suposta “independência” revelou-se uma pantomima. A grossa maioria dos 44 votos do PR –36 na Câmara e oito no Senado— continuou a serviço dos interesses do Planalto.
A pseudoreforma ministerial de Dilma reacendeu de vez os pendores governistas do PR e a vontade de virar a página da “independência”. Para trás. A legenda passou a reivindicar a devolução da pasta dos Transportes.
Ex-segundo de Nascimento, o atual ministro, Paulo Sérgio Passos, é filiado ao PR. Mas o partido não o reconhece como seu representante na Esplanada. Alega tratar-se de uma escolha “pessoal” de Dilma.
Dono de cerca de três minutos de tempo de tevê, o PR passou a ser cobiçado pelo PT, em várias praças, como parceiro para as eleições municipais. O flerte é mais intenso em São Paulo.
Ali, por enquanto, o petismo não logrou atrair para a coligação do candidato Fernando Haddad nenhum partido. Sentindo-se valorizado, o PR condiciona o acerto à retomada da cidadela dos Transportes.
A ideia de Nascimento é concluir a discussão interna sobre os rumos do PR em Brasília ainda em fevereiro. Até aqui, Dilma e seus operadores vêm dando de ombros.
Em privado, Dilma diz que não cogita trocar Paulo Passos pelo nome que o PR empina nos subterrâneos: Luciano Castro (RR). Um deputado que, na contramão da “independência”, reteve o título de vice-líder do governo na Câmara.
A cúpula do PR toma a recusa de Dilma como evidência de desapreço. Seus líderes recordam que todos os partidos que perderam ministros sob denúncias de corrupção indicaram o substituto.
Foi assim com o PT de Antonio Palocci, com o PMDB de Wagner Rossi e Pedro Novais, com o PCdoB de Orlando Silva e com o PP de Mário Negromonte. Será assim com o PDT de Carlos Lupi.
Convertido em exceção, o PR declara-se incomodado. Dilma e Cia. parecem descrer que a legenda de Nascimento seja mesmo capaz de transformar o incômodo em oposicionista aberto.
Afora a vocação do PR (ex-PL) para o governismo, surgiu no Congresso uma novidade que atenua os riscos. Chama-se PSD, o partido do prefeito paulistano Gilberto Kassab.
Abrigado sob o guarda-chuva da nova agremiação, um pedaço da oposição, egresso sobretudo do DEM, virou governo. Com uma vantagem.
Kassab oferece os 52 votos de que dispõe na Câmara e os dois do Senado sem exigir de Dilma, até agora, a contrapartida de um ministério. Quer dizer: na improvável hipótese de o PR virar oposicionista em pleno vôo, seus votos talvez não façam tanta falta.
No mais, considerando-se que o Planalto dispõe de outros encanto$ –as verbas das emendas orçamentárias, por exemplo— Nascimento arrisca-se a ficar falando sozinho caso decida esticar a corda.
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