Qui, 15 de Janeiro de 2009 00:00
Sérgio Jonikaites
O prefeito em exercício de Realeza, Valdomiro Leite (PMDB) recebeu em seu gabinete, na prefeitura municipal, a reportagem do Jornal Novo Tempo para falar sobre política e economia.
Demonstrando estar acompanhando todos os fatos regionais, Valdomiro que é diretor da unidade da Latco, em Realeza falou sobre os vários projetos que a região busca desenvolver.
Valdomiro foi mais além. Além de comentar os projetos, sugestiona que a região se mobilize para apresentar um novo traçado para o ramal da Ferroeste que está sendo pleiteado por lideranças do sudoeste e de Santa Catarina.
JNT – O senhor é o primeiro vice-prefeito do sudoeste a assumir o município na atual legislatura e talvez seja até do Brasil. O que isso significa?
Valdomiro – Bem Sérgio, não saberia dizer se existe outro caso no Brasil, mas no sudoeste é com certeza, o primeiro. Assumi o município no dia 05 e estamos trabalhando normalmente em todos os setores da administração. Como é um governo de continuidade, não houve mudanças e a estrutura dos departamentos estão funcionando. A prefeitura não foi fechada e estamos dando continuidade ao trabalho que vinha sendo feito.
JNT – O senhor está estreando na política. Como é assumir o comando do município com o trem andando?
Valdomiro – Isso demonstra a coesão entre o prefeito e vice e a união entre os partidos da coligação. Estamos preparados para administrar desde o momento em que colocamos o nosso nome como candidato a vice-prefeito. Sabíamos que em algum momento seríamos chamados para assumir e estou fazendo com tranqüilidade.
JNT – Além da liderança política o senhor é um empresário destacado na região que está à frente deu ma grande empresa com representação local e estruturação em vários pontos do no Estado, que é a Latco que fornece produtos à nível nacional. Como está o andamento da instalação da unidade de fabricação de leite em pó que será sediada em Realeza?
Valdomiro – Estamos trabalhando no projeto da fábrica de leite em pó. Obviamente que com a crise mundial, estamos fazendo uma reavaliação e teremos que diminuir um pouco o ritmo, coisa que é normal para o momento econômico. Nós estamos buscando a liberação do Ministério da Agricultura para que possamos dar uma nova seqüência. O projeto está concluído, a terraplanagem está sendo trabalhada na área escolhida para a edificação, mas lógico, temos que ter cautela neste período de crise, porém, todo o processo está andando.
JNT – A crise atingiu o mundo todo. No Brasil, especificamente aqui no sudoeste como está o pensamento empresarial pra vencer este desafio?
Valdomiro – Eu acredito Sérgio que a crise tem efeitos no Brasil. A economia é globalizada, não existe crise num só setor. Observamos por exemplo, no setor leiteiro, que houve redução no consumo, principalmente nos grandes centros. É natural que diante da crise as pessoas diminuam o consumo. As pessoas vão pensar pelo menos duas vezes para gastar ou investir. Até nos alimentos e aí entra o leite, principalmente os derivados de leite que não são de primeira necessidade e percebemos que houveram cortes na aquisição de derivados do leite.
JNT – Além da crise, a nossa região e o Sul do Brasil experimentam os dissabores da estiagem nos três estados e também das enchentes na faixa litorrânea. A precaução tem que ser maior?
Valdomiro – Obviamente. Estamos numa região que estamos sofrendo as conseqüências da estiagem. As chuvas que chegaram nestes dias minimizaram a situação, mas os efeitos negativos da estiagem ficaram com grandes prejuízos nas culturas do milho, soja e feijão atingindo também as pastagens para o gado de corte e de leite. Isso vai refletir nos próximos meses, pois a colheita apresentará redução na produção e isso vai apertar a situação financeira não só dos agricultores, mas de toda a população da região. Mas isso não é tão preocupante. O sudoeste é composto por pessoas que encaram de frente as dificuldades e esta será mais uma crise que vamos vencer.
JNT – O sudoeste aposta em vários projetos. Na Assembléia da Amsop foram discutidos o ramal da Ferroeste e o Aeroporto Regional, o que isso pode mudar na economia deste extremo da região onde estamos localizados?
Valdomiro – O mais importante nisso tudo é que o Sudoeste está sendo incluso nos grandes projetos. O sudoeste tem que ser lembrado nas esferas estaduais e federais. A Ferroeste será um meio de transporte que vai baratear o custo do calcário, de cimento e será um corredor de transporte de grãos, barateando os insumos para a agropecuária. Esta é uma conquista que está prestes a acontecer, porém, precisamos discutir o traçado da ferrovia. Quanto ao Aeroporto, é um sonho dos empreendedores daqui para que possamos ter uma ligação rápida e eficiente com os grandes centros do Brasil e com o exterior. É um projeto que poderá ser efetivado a longo prazo, mas a mobilização é muito importante. Precisamos pensar em projetos a longo prazo, não somente nas coisas imediatas.
JNT – Qual o traçado perfeito para a Ferroeste?
Valdomiro – O projeto está sendo discutido e por isso, acho que a proposta inicial de que a ferrovia passe por Nova Laranjeiras (oeste), pela Usina Hidrelétrica de Salto Santiago, São João e Pato branco até Chapecó, não vai prestigiar a região dos frigoríficos que estão localizados em Capanema, Dois Vizinhos, Francisco Beltrão, Itapejara D’Oeste, São João e Pato Branco e também a grande cadeia produtora de leite e as Cooperativas. Sugiro que seja feito um novo traçado com o ramal saindo do terminal em Cascavel (em frente a Coopavel) passando por Três Barras do Paraná, pela Usina Hidrelétrica de salto Caxias, Nova Prata do Iguaçu ou Salto do Lontra, com um terminal em Dois Vizinhos que encurtaria a distância para atender os frigoríficos, diminuindo custo com o frete terrestre. Este novo traçado aumentaria o trecho em 30 quilômetros, mas o custo-benefício é muito maior. Precisamos mobilizar as lideranças desta região.
JNT – Outros dois projetos, a construção da Usina Hidrelétrica do Capanema e a instalação da Aduana da receita federal e o posto do Ministério da Agricultura em Capanema podem dar mais oportunidades para a região?
Valdomiro – Exatamente. A usina vai beneficiar mais os municípios lindeiros ao lago que será formado pela barragem e pela sede da unidade geradora de energia. Serão oportunidades econômicas para os municípios de Capanema, Planalto, Realeza e Capitão Leônidas Marques. É um projeto muito aguardado, porque na fase de construção irá gerar muitos empregos. Este é um projeto que já é realidade, pois está em fase de licitação. Quanto a Aduana, ela vai nos oportunizar alternativas de transporte, pois hoje estamos limitados no horário. No momento em que estiver em pleno funcionamento, teremos mais opção para transporte e de relacionamento com a Argentina e o Mercosul.
JNT – E a Universidade Federal. Em que estágio se encontra o projeto?
Valdomiro – O projeto da Universidade Federal está tramitando na Câmara Federal. Além disso, existe uma comissão permanente composta por entidades do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul que estão fazendo as amarras necessárias para que a Universidade seja efetivada o mais rápido possível. Esta comissão está discutindo com o MEC as diretrizes e a formatação da Universidade. Agora, em fevereiro, teremos mais uma reunião da comissão para tratarmos dos encaminhamentos.
JNT – Na linha de empreendimentos, principalmente na questão leiteira, o município de realeza pleiteia um posto de pesquisa de leite pela Embrapa. Como estão os entendimentos sobre o assunto?
Valdomiro – Este projeto no momento está parado. Nós temos que retomar. No Sudoeste, temos várias entidades participando deste pleito e uma comissão está elaborando o Estatuto para que possamos ter condições de fazermos o vínculo e firmarmos convênios com a Emprapa. Há algum tempo atrás recebemos a visita do chefe da Embrapa Gado de Leite de Minas Gerais quando apresentamos a área e o projeto local. Este é um projeto de longo prazo e estamos discutindo a parte legal da entidade a ser montada para alocarmos recursos federais para consolidar o projeto da Embrapa de Realeza.
JNT – É melhor ser político ou ser empresário, apesar da experiência curta na questão política?
Valdomiro – Sérgio, tudo é uma experiência. Eu acredito que a vida pública é uma experiência interessante onde vamos aprender muito, mas tenho muito a contribuir para a administração pública. É um novo desafio que estamos encarando de frente. Acho que ainda é cedo para fazer comparações, mas nas duas áreas, temos muita vontade de realizar prestando o nosso serviço para o desenvolvimento local e regional.
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