Seg, 06 de Julho de 2009 00:00
As pesquisas sobre o tema são escassas. A explicação está no fato de não haver um protocolo de atendimento que exija a informação de que a vítima (ferida ou morta) estava com álcool no sangue. No Instituto Médico Legal (IML) do Paraná, por exemplo, a coleta de alcoolemia é feita, mas não é realizado o levantamento estatístico.
Só nos últimos dois anos, a Secretaria Nacional Antidrogas, do governo federal, iniciou em conjunto com o Centro de Pesquisas em Álcool e Drogas (Cpad), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, uma série de oito estudos que buscam respostas sobre o impacto do consumo de bebida alcoólica no trânsito. O investimento foi de R$ 2 milhões e, mais do que reunir estatísticas, o trabalho visa servir de fundamentação para políticas públicas que venham a reduzir, no futuro, a incidência de mortes causadas por motoristas bêbados.
Os dados preliminares começaram a surgir. Um grupo de acidentados pesquisados nos atendimentos de emergência de Porto Alegre revelou que 8,7% estavam com álcool no sangue e que 28,5% haviam consumido bebida alcoólica durante as 24 horas que antecederam o acidente. A médica psiquiatra e pesquisadora do Cpad, Raquel De Boni, comenta que a discrepância se dá pelo intervalo de tempo entre o acidente e a coleta do sangue no hospital.
A intenção, segundo ela, é realizar o mesmo estudo nos setores de emergência de todas as capitais brasileiras. No ano passado, segundo o Departamento de Trânsito do Paraná (Detran), ocorreram 44,9 mil acidentes que deixaram 58,7 mil feridos. Se a realidade paranaense seguir a gaúcha, um contingente de pelo menos 5 mil pessoas teria se ferido em acidentes com motoristas embriagados, apenas no ano passado. “Mas é preciso fazer uma pesquisa no Paraná para ter uma resposta precisa”, acrescenta Raquel.
Lei seca
A lei seca, que completou 1 ano de vigência no último dia 20, visa reduzir a violência no trânsito. Conforme o Ministério da Saúde, o volume de internações na rede pública das capitais brasileiras caiu 23% desde a entrada da nova legislação. A Polícia Rodoviária Federal demonstrou que, após a lei seca, o número de mortes caiu 2%.
Para a coordenadora do Núcleo de Psicologia do Trânsito da Universidade Federal do Paraná, Iara Thielen, o risco de ser multado ou preso é que leva o motorista a mudar o comportamento. “Ouvimos muito em nossas pesquisas que os motoristas acreditam que seu comportamento não é de risco, mas sim o dos outros. Então ele não admite que se beber pode causar um acidente grave ou matar alguém”, comenta. Somente a Polícia Rodoviária Federal prendeu no Paraná no primeiro ano da lei seca 1.354 motoristas embriagados.
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