Qua, 22 de Julho de 2009 14:53
Nesta segunda, o ministro Juan Manzur afirmou que na última semana as consultas nos hospitais "caíram até 30%", apesar das projeções de que a gripe suína tenha infectado mais de 100 mil pessoas no país. A OMS (Organização Mundial da Saúde) elevou o espalhamento da doença ao nível de pandemia devido ao seu alcance, a despeito das mortes que ela causou. Foram mais de 95 mil pessoas atingidas, em 120 países, com 429 mortes.
Na semana passada, a organização desistiu de contar os casos individuais de gripe suína e não irá mais emitir boletins globais sobre o número de doentes. Segundo a organização, manter a conta de infectados é muito dispendioso, pois o vírus se espalha rapidamente.
No Brasil, onde 15 pessoas morreram devido à infecção pelo Influenza A (H1N1), o Ministério da Saúde já trata da doença como epidemia e passou a tratar como principal objetivo evitar mortes --e, não mais, impedir a todo custo a disseminação do vírus pelo país.
As cidades de Campinas e Valinhos, em São Paulo investigam se a morte de oito pessoas tem relação com a gripe suína. Onze dos óbitos no país ocorreram no Rio Grande do Sul, onde duas cidades decretaram estado de emergência devido aos casos da nova gripe.
Decretado recentemente que o vírus H1N1 conhecido popularmente como gripe suína virou pandemia e a grande maioria da população já sabe, mas poucos tem uma noção real do que a pandemia pode causar e o quanto ela ainda pode se estender.
Segundo o estudo, epidemias de influenza em grandes centros urbanos se caracterizam pelo início abrupto, atingem seu pico em duas ou três semanas e se prolongam até completar cinco a oito semanas. Isso significa que os números ainda vão piorar antes de melhorar.
A pandemia de gripe provocada pela nova variante do vírus A H1N1 poderá atingir entre 35 milhões e 67 milhões de brasileiros ao longo das próximas cinco a oito semanas. De 3 milhões a 16 milhões desenvolverão algum tipo de complicação a exigir tratamento médico e entre 205 mil e 4,4 milhões precisarão ser hospitalizados.
Nas estradas
Quem está exposto diretamente ao vírus é quem viaja de um estado para o outro sem ao menos saber o que esta acontecendo e onde estão os piores focos da doença.
O JNT foi ouvir alguns caminhoneiros que passam a maioria do tempo na estrada e pode verificar que a única informação que eles possuem é a de TV quando param para abastecer ou se alimentar.
Segundo o caminhoneiro Sally Sheys, de Xanxerê (SC), “ninguém informa nada, mas a gripe assusta sim a gente que viaja corre risco. Sempre conversamos com pessoas que nem ao menos conhecemos e isso é perigoso. Acho que todos deveriam ficar atentos, se necessário usar máscaras para acabar de uma vez com esse problema”.
Os caminhoneiros na maioria das vezes passam muitos dias fora de casa e geralmente se viram sozinhos com os problemas de saúde que surgem durante a viagem e a demora para procurar a ajuda médica pode ser o maior problema para quem vive na estrada. Afonso Faller caminhoneiro que passa até 30 dias fora de casa, conta não ter medo, mas, no entanto, os caminhoneiros deveriam receber uma atenção especial nesse caso. “Se preciso for, a gente usa máscara, o que não devemos deixar acontecer é que isso se espalhe muito, pois a gente tem família e se nós corremos risco, eles também correm,.deveria haver blitz nas estradas conscientizando do perigo dessa nova doença”.
Há alguns a gripe não assusta e é apenas mais uma virose no ar, como é o caso do vendedor de Chapecó Paulo C. da Silva. “Cheguei a pouco na região, mas na estrada não tive nenhum alerta sobre a doença. O único cuidado que eu tomo é muita vitamina C, mas isso eu faço em todos os invernos para evitar gripes, se for o caso vou usar máscaras, mas acho que a situação do País vai ser controlada logo”.
Para que a situação não se agrave entre a classe dos caminhoneiros é necessário que pelo menos os cuidados básicos sejam tomados para evitar que a doença se alastre mais ainda.
Nas paradas
Outra classe que corre risco, porque tem um grande contato com pessoas que vem de outras cidades, estados e até países são os frentistas de postos de combustíveis. Eles atendem diariamente centenas de pessoas com as quais eles precisam ter um contato direto, estando assim mais vulneráveis ao vírus. O frentista Edson Pires que trabalha em um grande posto de combustíveis da região, onde centenas de caminhões a carros fazem parada todos os dias, conta que há um cuidado redobrado para que não haja contato com as pessoas, o contato com as pessoas já não acontece da mesma forma. “A gente mantém uma certa distância, não cumprimenta mais dando as mãos, as mesmas são lavadas com mais freqüência se alguém espirra por perto tentamos ficar o mais longe possível porque nunca se sabe, né?”.
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