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A notícia veio dos Estados Unidos e está causando polêmica no mundo todo, inclusive no Brasil. O governo americano mudou suas diretrizes para o rastreamento do câncer de mama. Antes, a recomendação era que toda mulher com 40 anos ou mais fizesse a mamografia uma vez por ano. Agora, só as que têm mais de 50 anos devem se submeter ao exame – e a cada dois anos, não mais anualmente.

Segundo o grupo de especialistas que assessorou o governo americano na mudança, a nova diretriz visa evitar o excesso de exames desnecessários e diminuir o número de resultados falsos positivos, o que aumenta os custos do sistema de saúde sem trazer benefícios às mulheres. A medida, porém, vem sendo rejeitada por muitos médicos, tanto lá como aqui.

A American Cancer Society, por exemplo, continua recomendando a mamografia anual a partir dos 40 anos. Em nota oficial, a entidade afirma que, embora o exame apresente limitações quando feito nas mulheres mais jovens, há evidências que mostram que ele pode salvar muitas vidas na faixa entre os 40 e 49 anos.

No Brasil, vários médicos também rejeitaram a nova diretriz americana. Em entrevista ao jornal

Folha de S. Paulo no dia 18 de novembro, a mastologista Maira Caleffi, presidente da Femama, afirmou que "não existe nada melhor, por enquanto, do que fazer o diagnóstico precoce. Há problemas com exames em larga escala? Há. Mas nem por isso tem que deixar de fazer ou adiar a mamografia".

A Sociedade Brasileira de Mastologia expressou a mesma opinião. Em comunicado assinado pelo presidente Ricardo Chagas, a entidade mantém a posição de que "a mamografia é necessária a partir dos 40 anos e deve ser feita anualmente", justificando que no Brasil é alta a incidência de tumores em estágio avançado por causa do diagnóstico tardio.

No Brasil, a lei 11.664/2008, em vigor desde abril deste ano, dá a toda brasileira o direito de realizar o exame mamográfico pelo SUS a partir dos 40 anos. Por enquanto, portanto, nada muda no Brasil. O desafio é e continua sendo fazer com que toda a população feminina possa ter acesso a esse direito. Só a mamografia é capaz de detectar o câncer de mama em estágio precoce, quando as chances de cura podem chegar a 95%.

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