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Um novo estudo provocante levantou que jovens em relacionamentos estáveis e sexualmente ativos não têm desempenho melhor ou pior na escola do que aqueles que não fazem sexo.
Os resultados, apresentados domingo (15) em uma reunião da American Sociological Association, em Atlanta, desafiou alguns pressupostos de que adolescentes que têm vida sexual tendem a ir mal na escola.
O mesmo não acontece com adolescentes que "ficam". Os pesquisadores descobriram que aqueles que têm relações casuais tiram notas baixas e têm mais problemas relacionados à escola em comparação aos que se abstêm.
Não é possível determinar o sucesso acadêmico dos adolescentes de acordo com a vida sexual, mas o tipo de relação pode influenciar as atividades escolares, segundo os investigadores.
Os jovens em relacionamentos sérios podem encontrar apoio social e emocional em seus parceiros sexuais, reduzindo a ansiedade e níveis de estresse na vida e na escola.
Segundo Gisela Castanho, psicoterapeuta de adolescentes e professora da Sociedade de Psicodrama de São Paulo, "se a relação for harmônica e eles se desenvolverem juntos, acho que isso pode inclusive ajudar nos estudos".
Para a especialista, o que pode atrapalhar os estudos não tem relação com sexo, é o nível de conflito da relação, "se estiverem numa relação destrutiva, de disputa de poder ou de ciúmes muito intenso".
Já a terapeuta de casais e família Marina Vasconcellos explica que o adolescente sente tudo com mais intensidade. "Nesse sentido, a paixão pode ser exagerada e atrapalhar um pouco, por isso, eles têm que aprender a dividir o tempo. É impossível deixar de se apaixonar para estudar, é um movimento natural da adolescência."
SEXO CASUAL
No ano passado, quase metade dos estudantes do ensino médio relatou ter relações sexuais, e 14% tiveram quatro ou mais parceiros, de acordo com uma pesquisa realizada nos EUA, divulgada há poucos meses.
Para o estudo, o sociólogo Bill McCarthy, da Universidade da Califórnia, e o sociólogo Eric Grodsky, da Universidade de Minnesota, analisaram inquéritos e históricos escolares de um grande estudo nacional que acompanhou adolescentes durante todo o ano acadêmico de 1994-1995.
Os pesquisadores disseram que não mudou muita coisa desde então, como o período em que os adolescentes começaram a ter relações sexuais e as atitudes em relação ao sexo.
A dupla analisou como o comportamento sexual dos adolescentes afeta sua aprendizagem. Entre os resultados, Grodsky destacou que "ter relações sexuais fora de um relacionamento amoroso pode exacerbar o estresse que os jovens vivenciam, contribuindo para os problemas na escola".
Castanho explica que a grande maioria dos adolescentes está procurando uma relação afetivamente estável e realizadora, que permita o crescimento individual. Ela ainda acredita que muitos jovens que buscam sexo, na verdade estão procurando carinho.
"Quem está relativamente carente e vai procurar relações sexuais pode ficar mais afetado, porque está procurando carinho no lugar errado. Principalmente as meninas, mas meninos também."
"Acho que eles terminam a noitada se sentindo mais vazios e amargurados do que quando iniciaram a noite", considera a psicoterapeuta.
com REUTERS


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