Dom, 28 de Junho de 2009 00:00
Os dez maiores municípios do Paraná concentram 42% da população do estado e 49,74% da frota de veículos, conforme demonstram dados do Departamento de Trânsito (Detran).
O Paraná tem 10,5 milhões de habitantes e 4,4 milhões de carros, segundo a estimativa 2008 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que perfaz uma proporção de um veículo para cada 2,34 moradores.
A cidade com maior proporção de automóveis é Maringá, com um carro para cada 1,57 habitante, seguida por Curitiba, que tem média de 1,63. Londrina é a terceira cidade com a maior taxa: um veículo para cada 1,96 morador.
Juntas as dez maiores cidades têm proporção de um carro para cada 1,97 habitante; os outros 389 municípios do Paraná, que respondem por 50,25% da frota e 58% da população, têm a modesta proporção de um carro para cada 2,7 habitantes.
Este número acentuado e crescente de veículos, somado à falta de educação no trânsito, é a principal causa de um problema urbano de difícil solução: a falta de trafegabilidade nas ruas de maior concentração de pessoas. Responsáveis pelos departamentos de trânsito dessas cidades falaram ao Bonde sobre as consequências do aumento da frota.
Na capital, que acumula a maior frota do estado – 1.116.018 veículos – o município começou a tomar medidas com vistas a dar maior fluidez ao trânsito, principalmente nos horários de pico. A diretora de trânsito de Curitiba, Rosângela Battistella, explicou que entre as medidas de curto prazo está a proibição de estacionamento em diversas ruas. Em alguns casos, a proibição vigora o dia todo; em outros, apenas nos horários de pico; em algumas vias, o lado esquerdo e direito são interditados; e em outras, apenas o lado direito, conforme a necessidade. As conversões à esquerda também foram proibidas em diversas avenidas. "Assim, ganhamos uma ou duas faixas a mais para o tráfego; quem não respeita a proibição terá o carro guinchado", disse Rosângela.Também está em execução projeto de pintura das faixas de pedestre e instalação de semáforos inteligentes, que se regulam automaticamente conforme o fluxo de veículos.
A longo prazo, o município espera construir a primeira linha de metrô da capital, projeto vislumbrado para ficar pronto até 2014, ano da Copa do Mundo, já que Curitiba será uma das sedes. "Enquanto isso, agimos pensando no coletivo, tentando tornar o transporte em ônibus cada vez mais eficaz", disse a diretora.
Segundo Rosângela, não há como pensar no caso do transporte particular numa cidade onde a frota só faz crescer. "Não queremos tirar o sonho de ninguém de ter seu automóvel, mas as pessoas têm que saber que terão problemas quando comprarem um", afirmou, acrescentando que diariamente vai ao trabalho de ônibus. "Demoro 20 minutos para percorrer os três quilômetros de minha casa até o trabalho; de carro, no horário de pico, o tempo é entre 30 e 35 minutos".
Quem também comentou sobre o "sonho de liberdade" conquistado com o veículo próprio foi Jorge Lange, secretário de transporte e mobilidade urbana de Cascavel, que tem um carro para cada um de seus 285 mil habitantes. "Muitas vezes, a pessoa vê seu sonho de liberdade transformado no pesadelo da falta de vagas para estacionar, dos congestionamentos, da lentidão no trânsito".
Lange destacou como um dos principais problemas da cidade os acidentes envolvendo motocicletas e lembrou que em 2002 a frota de motos era de 9 mil veículos. Este ano, são 30 mil motocicletas registradas em Cascavel. "A facilidade para adquirir um veículo aumentou muito, mas as cidades, as ruas, não crescem na mesma proporção", comparou.
Para ele, a solução será investir na melhoria do sistema viário, na eficiência do transporte coletivo e nas alternativas ambientalmente corretas, como a bicicleta e a caminhada. "Hoje todas as cidade médio e grande porte estão entupidas de veículos. Precisamos dar condições para que as pessoas possam fazer seus principais deslocamentos em bicicletas ou mesmo a pé", afirmou em entrevista concedida de Sorocaba, onde participava de um seminário nacional sobre transporte em ciclovias.
Em Ponta Grossa, os 123 mil veículos causam problemas típicos das metrópoles, como os demorados congestionamentos, falta de vagas para estacionar e acidentes. "Além disso, somos uma cidade universitária e temos uma frota flutuante de veículos que colabora muito para os problemas", disse o diretor da Autarquia Municipal de Trânsito e Transporte de Ponta Grossa, coronel Edimir José de Paula. "Sendo otimista, creio que em cinco anos as cidades com mais de 300 mil habitantes enfrentaram um caos difícil de ser solucionado, se nada for feito", prognosticou. "Aqui estamos tentando conscientizar os motoristas a deixarem os veículos em casa e investindo em melhoria do transporte coletivo e no planejamento urbano".
Em Foz do Iguaçu, a frota flutuante de veículos também acentua os problemas. Lá, há muitos carros da Argentina e Paraguai trafegando. "Essa frota flutuante é de cerca de 20 mil veículos", calcula Ali Hussein Safadi, diretor de trânsito de Foz. Segundo ele, a facilidade para adquirir veículos próprios fez com que pessoas deixassem de utilizar o transporte coletivo, colocando mais carros nas ruas. "Quem anda de moto hoje, antes andava de ônibus". Para Safadi, as grandes cidades terão de adotar medidas mais drásticas diante do crescimento da frota, sob pena de trânsitos cada vez mais caóticos. "Pedágio urbano é uma realidade cada vez mais presente nos grandes centros do mundo. Isso desestimula as pessoas a andarem de carro".
Região tem um veículo a cada 2,45 habitantes
Levantamento feito junto ao DETRAN-PR, mostra que a região está com uma média de um veículo para cada 2,45 habitantes. O município de Barracão tem uma média de um veículo para cada 1,91 habitante e Manfrinópolis está com a menor média veículo por habitantes com um veículo para cada 5,05 habitantes.
Nestes 19 municípios pesquisados, existem 97.692 veículos para uma população de 240.186 habitantes. São considerados como integrantes da frota, automóveis, caminhão, caminhão-trator, camionete, camioneta, ciclomotor, microônibus, motocicleta, motoneta, motor-casa, ônibus, quadriciclo, reboque, semi-reboque, side-car, trator esteiras, trator rodas, trator misto, triciclo e utilitário. Importante ressaltar que o número de tratores informados ao DETRAN estão longe da realidade. A maioria dos municípios da região consta nenhum equipamentos destes. Como exemplo, o município de Santa Izabel do Oeste que não tem nenhum trator cadastrado. Levantamento superficial indica que o município possui cerca de 100 tratores.
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