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Os números relativos ao trânsito no Brasil são alarmantes.
 São 55,9 milhões de veículos em circulação, sendo que a cada ano outros três milhões de automóveis – incluindo carros de passeio e caminhões – e 1 milhão de motocicletas ganham as ruas do país. Os dados são do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e justificam a necessidade de discutir a segurança no tráfego. Anualmente, 35 mil pessoas morrem em 112 mil acidentes.
Para tentar diminuir o problema, o governo vai exigir dos fabricantes a obrigatoriedade da instalação de itens de segurança nos veículos novos, como freios ABS e airbag. Mas o Denatran reconhece que tem dificuldades para reverter a verba arrecadada com as multas em melhorias na infra-estrutura das estradas. "Investir em infraestrutura e prevenção é importante”, afirma o diretor do Denatran, Alfredo Peres da Silva, que participa do Congresso Brasileiro sobre Acidentes e Medicina do Trabalho, em Belo Horizonte.
O alto índice de acidentes no trânsito repercute fortemente na área da Saúde, já que o governo gasta R$ 28 bilhões por ano com acidentes de trânsito. o valor envolve custos como resgate de acidentados, tratamento e reabilitação das vítimas e reparo de danos materiais.
O diretor do Denatran ressalta que existe uma grande dificuldade em assegurar que os recursos oriundos da arrecadação de multas retornem para área de trânsito. “O repasse se tornou um problema na esfera do estado e da União e temos contado com o poder fiscalizador do Ministério Público e dos Tribunais de Contas”, diz Peres da Silva.
Segundo ele, por ano, cerca de R$ 3 bilhões são arrecadados com multa. As infrações mais comuns são excesso de velocidade, o não uso do capacete e do cinto de segurança e o consumo de bebida alcoólica. A última variável é bem presente entre os acidentados: cerca de 30% das vítimas apresentaram taxa de alcoolemia acima de 0,6 g/l.
Com a Lei Seca, em vigor desde junho de 2007, a fiscalização se tornou mais severa quanto à prática de beber e depois dirigir. Sobre o número de infrações por excesso de álcool, o diretor assegura ser difícil quantificar, pois as autuações não refletem um número real, já que elas requerem a abertura de um processo que confirme a embriaguez ao volante.
Sobre os resultados da lei, Silva diz que existente uma conscientização do condutor. “No início da fiscalização, era feito um fragrante em seis testes. Hoje, para um flagrante é preciso realizar 40 testes”, justifica.

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