Crea-PR acredita que implantação da Ferroeste deve abrir inúmeras oportunidades de trabalho aos profissionais do sistema

Projeto deve gerar 375 mil empregos diretos e indiretos

A Nova Ferroeste, linha férrea que vai ligar Maracaju, no Mato Grosso do Sul, ao Porto de Paranaguá, com um ramal a Santa Catarina, deve gerar 375 mil empregos diretos e indiretos, segundo o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA). A consulta ao edital de leilão foi lançada nesta terça-feira (21), no Palácio Iguaçu. O estudo prevê um impacto direto em, pelo menos, 67 municípios brasileiros ao longo da ferrovia. O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (CREA-PR), Eng. Civ. Ricardo Rocha de Oliveira, participou da solenidade.

Segundo o Governo do Paraná, a contraprestação mínima, também chamado de lance inicial, é de R$ 110 milhões, valor que será revertido integralmente para a Estrada de Ferro Paraná Oeste S.A., administradora do atual trecho em operação.

Trata-se do projeto de uma estrada interestadual que visa a ampliação da Estrada de Ferro Paraná Oeste S.A, trecho de pouco mais de 200 quilômetros em operação que liga Guarapuava a Cascavel. O novo traçado, com 1.567 quilômetros, vai ligar os municípios de Maracaju (MS) e Paranaguá (PR), bem como criar um ramal de Foz do Iguaçu a Cascavel (PR) e de Chapecó (SC) a Cascavel (PR).

O presidente do Crea-PR, Eng. Civ. Ricardo Rocha de Oliveira, lembrou que a estrutura do Paraná é marcada por linhas férreas históricas. “A antiga Ferroeste tem desde a sua criação cada vez mais trabalhado com eficiência operacional, mas a modernização e a integração da logística paranaense é de extrema importância. A nova Ferroeste já é um símbolo de desenvolvimento da infraestrutura do Estado do Paraná e para o incremento de todo este projeto é necessário todo o trabalho e conhecimento técnico dos profissionais das Engenharias. A implantação do projeto deve abrir inúmeras oportunidades de trabalho aos nossos profissionais”, afirma.

O EVTEA estima investimento de R$ 35,8 bilhões para a construção e aquisição de material rodante para os 1.567 quilômetros de trilhos que vão ligar os estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina.

Quando estiver concluída, será o segundo maior corredor de grãos e contêineres refrigerados do País, o que deve transformar o Paraná num hub logístico da América do Sul pelo fato de atrair parte da produção de países próximos como a Argentina e o Paraguai. Se estivesse em operação atualmente, a ferrovia poderia transportar aproximadamente 38 milhões de toneladas de produtos, das quais 26 milhões de toneladas seguiriam diretamente para o Porto de Paranaguá.

Sustentabilidade
Além de unir o Paraná ao Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, dois dos principais polos exportadores do agronegócio do Brasil, a Nova Ferroeste foi planejada para nascer verde e sustentável. O projeto foi incluído na Iniciativa de Mercados Sustentáveis da Coroa Britânica, e foi desenvolvido para ter o mínimo impacto socioambiental possível.

O desenho preliminar do traçado não prevê qualquer interceptação em comunidades indígenas, quilombolas ou em Unidades de Proteção Integral. Os técnicos responsáveis pela proposta ainda alinharam o traçado a um distanciamento mínimo de cinco quilômetros dessas coletividades ou pontos de conservação.

Já no final do percurso, toda a estrutura da nova ferrovia que vai cortar a Serra do Mar foi alinhada com o Plano Sustentável do Litoral, concebido em 2019.

Outra preocupação se deu com a redução dos conflitos urbanos. A orientação é para que os trechos da ferrovia evitem cruzar as cidades. Em Curitiba, por exemplo, os trilhos serão todos desviados, sem a passagem de trens por cruzamentos que podem gerar acidentes.

O Governo do Paraná pretende levar o projeto a leilão no segundo semestre de 2022. O edital completo e mais informações estão disponíveis no endereço eletrônico aqui.

 

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